Maior acidente aéreo registado em Portugal teve lugar há 30 anos em Santa Maria
8 de fev. de 2019, 08:30
— Lusa/AO Online
O
avião provinha de Bergamo, na Itália, e tinha como destino a República
Dominicana, nas Caraíbas, prevendo uma escala técnica no aeroporto de
Vila do Porto, em Santa Maria.Volvidas
três décadas sobre a tragédia, há bombeiros que ainda têm pesadelos com
o Boeing 707, como é o caso de José Botelho, que chegou ao Pico Alto
ainda esperançado em encontrar vida por entre os escombros do avião que
se despenhara. "Foi
uma cena macabra a que encontrámos, o silêncio era absoluto", recorda à
agência Lusa o antigo bombeiro profissional, que não esquece os corpos
que encontrou desmembrados e decapitados por toda a área onde teve lugar
o embate.José
Botelho, que era naquele dia o chefe de turno na placa do aeroporto de
Santa Maria, foi alertado pela torre de controlo para um eventual embate
do avião no Pico Alto e partiu para o terreno com seis bombeiros e três
viaturas.Apesar
de ser bombeiro profissional e de se ter preparado mentalmente para
enfrentar todas as situações possíveis, estava longe de imaginar o
cenário encontrado.Trinta
anos depois, o bombeiro, que hoje possui uma oficina em Vila do Porto,
refere à Lusa que estaria disponível para partilhar com os colegas no
ativo a sua experiência, uma vez que considera que seria uma "mais
valia" para quem exerce a profissão.José
Botelho lamenta o "estado de abandono" em que se encontra a zona onde
teve lugar o acidente, onde existe uma placa com os nomes de todas as
vítimas mortais. O
presidente do município de Vila do Porto na altura do acidente, José
Humberto Chaves, foi alertado pelos serviços da SATA Air Açores para a
possibilidade de ter caído um avião."A
única coisa que eu fiz, e que tinha que fazer, foi deslocar-me para o
local e apurar o que se estava a passar", refere o antigo deputado e
autarca em declarações à Lusa. O que mais o impressionou foi o silêncio e, depois, os corpos dilacerados e a fuselagem do avião."Por
mais que eu queira esquecer e dizer que isso já passou, nunca mais
esqueci. Quando vou ao Pico Alto, por alguma razão, sinto e lembro
perfeitamente aqueles momentos", declara José Humberto Chaves.O
atual responsável pela Santa Casa da Misericórdia de Vila do Porto
refere que, volvidas três décadas, as pessoas que trilham a ilha de
Santa Maria têm vindo a recolher pequenos detritos do avião na zona do
Pico Alto e a depositá-los junto ao memorial às vítimas, havendo ainda
familiares dos passageiros que de deslocam aos Açores para visitarem o
local do acidente.José
Humberto Chaves tem mesmo conhecimento de uma jovem italiana, cujo pai
faleceu a bordo do avião da Independent Air, que esteve na ilha a
recolher material para a edição de um livro.Quando
passam 30 anos sobre o acidente, Jorge Arruda, que desempenhava as
funções de diretor do aeroporto, afirma que, apesar de estar preparado
para esta eventualidade, foi, "naturalmente, apanhado de surpresa"."Estava
a almoçar com uma equipa de colegas da ANA (Aeroportos de Portugal) que
se tinha deslocado a Santa Maria e fui alertado, por telefone, para a
queda de um avião no Pico Alto. Peguei no carro e dirigi-me para o
local, tendo avisado, entretanto, o aeroporto e desencadeado o plano de
emergência", recorda Jorge Arruda, a primeira autoridade a chegar ao
local.O
responsável pelo aeroporto bloqueou o acesso ao local do acidente aos
curiosos até que chegassem os bombeiros da ANA, tendo, posteriormente,
regressado a Vila do Porto para alertar as entidades oficiais.