MAI responde “ainda bem” ao anúncio do Chega de que vai forçar comissão de inquérito
Hoje 12:43
— Lusa/AO Online
“Ainda bem. Portanto,
conforme já disse anteriormente, estou totalmente disponível para, em
todos os fóruns, prestar todos os esclarecimentos. É uma boa altura para
se saber e para se conhecer o meu legado à frente da Polícia
Judiciária”, declarou aos jornalistas Luís Neves, em Pedrógão Grande
(Leiria), onde presidiu à sessão solene comemorativa do Dia do
Município.O presidente do Chega, André
Ventura, anunciou hoje que o seu partido vai forçar a constituição de
uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à
frente da PJ no arranque da próxima sessão legislativa, em setembro.Luís Neves reafirmou que, no seu tempo próprio, vai prestar os esclarecimentos que os portugueses merecem.Questionado
se colocou o seu lugar à disposição do primeiro-ministro, Luís
Montenegro, na sequência da polémica sobre as obras numa sua casa em
Odemira e do atrelado encontrado na empresa do construtor que fez os
trabalhos, o governante respondeu: “Eu, se sentisse que não tinha
condições para estar neste lugar, não estava aqui a desempenhar o meu
trabalho”.A empresa, Construbarcelos, foi
responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional,
sendo que um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga foi
posteriormente encontrado nas instalações daquela.O
ministro, ex-diretor nacional da PJ entre 2018 e 2026, repetiu estar
“muito focado, sobretudo nesta época, com a questão dos fogos
florestais”, para acrescentar que “essa é uma questão que, pura e
simplesmente, não se coloca”.“É com a
maior tranquilidade e até agradeço que aquilo que eu fiz enquanto
servidor público possa ser absolutamente descortinado. Tenho o maior
orgulho, a maior honra naquilo que tenho feito enquanto servidor público
e continuarei a fazer, que é aquilo que é o que me motiva e que me dá
alegria e que me dá força de trabalhar em prol do país, em prol das
populações, em prol dos portugueses”, acrescentou.Hoje de manhã, pouco depois de chegar a Pedrógão Grande, tinha pedido aos jornalistas respeito pelo seu trabalho.O
Chega tem 60 deputados eleitos, número suficiente para impor a criação
de uma comissão parlamentar de inquérito - segundo o Regime Jurídico dos
Inquéritos Parlamentares, é necessário um quinto dos parlamentares em
efetividade de funções, ou seja, 46.Na
terça-feira, Luís Neves disse estar a reunir os documentos que considera
importantes no âmbito das polémicas que têm sido conhecidas ao longos
das últimas semanas, relativas às obras da sua casa em Odemira e do
atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua
propriedade.Na sexta-feira passada, a PJ
anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo
de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa
Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da
Administração Interna.No mesmo dia, a
Procuradoria-geral da República confirmou “a existência de um inquérito
relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação
Pacoba’”.A polémica teve início no dia 10
de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da
Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em
Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando
Luís Neves era diretor nacional.Segundo a
publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca
de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias
depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.Já
na semana passada, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a
legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na
freguesia de São Teotónio.