MAI não viu alegadas agressões da PSP a ativistas e diz que há mecanismos para punir abusos
Clima
15 de nov. de 2022, 12:20
— Lusa/AO Online
“Eu não vi essas imagens, não quero pronunciar-me sobre algo que não
conheço. O que eu quero dizer é que a Polícia de Segurança Pública tem
mecanismos próprios. Aliás, o Estado português tem a Inspeção-Geral da
Administração Interna, que tem poderes autónomos de iniciativa. E eu
confio, quer nas entidades inspetivas internas da Polícia de Segurança
Pública, quer na própria Inspeção Geral da Administração Interna”, disse
José Luís Carneiro.“Queria também dar
conta de que, efetivamente, a Polícia de Segurança Pública tem também
alguns deveres constitucionais, que é garantir que as liberdades e o
direito à manifestação se fazem no respeito pela liberdade dos outros. A
PSP teve de intervir porque teve um pedido, feito por escrito,
pela Reitoria da Universidade de Lisboa”, acrescentou o governante.No sábado, a PSP disse em comunicado que “apenas foi utilizada a força
estritamente necessária” para proceder à detenção de quatro ativistas
climáticos “por desobediência à ordem de dispersão”. Em declarações aos jornalistas depois de inaugurar na nova esquadra da
PSP no Barreiro, um investimento de 1,5 milhões de euros, o ministro da
Administração Interna, salientou que há muitos outros investimentos em
curso no distrito de Setúbal.“Além
desta esquadra, temos outros investimentos muito importantes neste
distrito, nomeadamente na Divisão Policial do Seixal, no valor de 2,7
milhões de euros, na reabilitação da Divisão Policial de Almada, um
investimento também superior a meio milhão de euros, bem como a
reabilitação da esquadra da Cruz de Pau, no Seixal, também no valor
muito próximo de 1 milhão de euros”, disse.“No âmbito da Lei de Programação de Infraestruturas e Equipamentos,
houve um conjunto de 49 viaturas que foram colocadas ao serviço deste
distrito, bem como mais de 400 armas e acessórios, mais de 1.500
equipamentos de proteção individual, vários equipamentos para funções
especializadas”, acrescentou José Luís Carneiro, salientando a
importância destes investimentos para uma “melhor e maior
operacionalidade” das forças de segurança. Questionado pelos jornalistas sobre o Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras, o ministro da Administração Interna defendeu que aquele
serviço não vai ser extinto, mas ser objeto de uma restruturação,
referindo também que ainda não tinha dados definitivos que lhe
permitissem revelar o número de inspetores daquele serviço (SEF) que irá
transitar para a Polícia Judiciária.“Estamos
a falar de uma reestruturação, na medida em que o corpo do conhecimento
que existe nos funcionários do SEF, nomeadamente naqueles que
têm funções de inspeção, mas também naqueles que têm funções
administrativas, manter-se-á, embora integrado numa nova arquitetura”.“Foi
dado um passo muito importante, que foi conseguirmos chegar a acordo
entre vários ministérios, nomeadamente com o Ministério da Justiça, mas
também num diálogo com o Ministério dos Assuntos Parlamentares, em
articulação da Polícia Judiciária, com o Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras, para podermos dar uma garantia de estabilidade na estrutura e
na carreira dos inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras”,
acrescentou.De acordo com o ministro,
“os inspetores do SEF vão transitar em bloco para a Polícia Judiciária e
aqueles que têm hoje funções de controlo aeroportuário e de controlo
marítimo e terrestre manter-se-ão a desenvolver essas funções num tronco
comum de carreira, que fica na Polícia Judiciária, mas em mobilidade,
no desempenho de funções de controlo aeroportuário e também de controlo
marítimo e terrestre”.