Maduro anuncia suspensão da rede social X durante dez dias
Venezuela
9 de ago. de 2024, 12:11
— Lusa/AO Online
A declaração de Maduro foi feita na quinta-feira, durante uma manifestação de apoiantes na capital, Caracas.A
agência que gere as telecomunicações “decidiu retirar a rede social X
durante dez dias da circulação na Venezuela”, disse Maduro, sublinhando
que a decisão resultou de uma sua proposta."Ninguém
me vai calar, vou enfrentar a espionagem do império tecnológico. Elon
Musk é o proprietário da X e violou todas as regras da rede social
Twitter, agora X, e violou-as ao incitar ao ódio e ao fascismo",
continuou Maduro, que acusa regularmente o bilionário norte-americano de
conspirar contra ele.Maduro não especificou que forma assumiria esta "retirada de circulação".As
autoridades venezuelanas (personalidades, ministérios, agências
governamentais) estão presentes nas redes sociais, onde comunicam
amplamente.Na segunda-feira, o Presidente
anunciou que se retirava da plataforma de mensagens Whatsapp, ao mesmo
tempo que criticava as redes sociais por tentarem um "golpe
ciberfascista criminoso", na sequência da contestação à sua eleição.Na
sexta-feira, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela ratificou
a vitória de Maduro com 52% dos votos, mas não tornou pública a
contagem exata dos votos nem as atas das assembleias de voto, alegando
que o sistema tinha sido pirateado.De
acordo com a oposição, que publicou as atas obtidas pelos seus agentes
de voto - cuja validade é rejeitada por Maduro - Edmundo Gonzalez
Urrutia, que substituiu a líder da oposição Maria Corina Machado -
declarada inelegível -, ganhou as eleições com 67% dos votos.A
oposição e muitos observadores acreditam que a pirataria informática do
CNE é uma alegação falsa do Governo para evitar ter de publicar as atas
das mesas de voto.Maduro e as autoridades acusaram repetidamente Musk de envolvimento no ataque informático ao CNE.Os
distúrbios que se seguiram à proclamação da vitória do Presidente
causaram 24 mortos desde 28 de julho, de acordo com um balanço
atualizado, divulgado na terça-feira por organizações de direitos
humanos, incluindo a divisão das Américas da Human Rights Watch.