Madrid garante que separatistas serão levados a tribunal
29 de set. de 2017, 15:48
— Lusa/AO online
“Os responsáveis da Generalitat
terão […],sem dúvida, que responder em tribunal”, disse o ministro
Porta-voz do executivo de Madrid, Inigo Méndez de Vigo, em conferência
de imprensa no final do Conselho de Ministros.O responsável
governamental acusou a Generalitat (executivo regional) e os seus
parceiros de extrema-esquerda de “deslealdade institucional” e
“desobediência constitucional”, acrescentando que “só quando for
restabelecida a legalidade” se poderá refazer a convivência
institucional na Catalunha. Os partidos separatistas obtiveram
47% dos votos na votação regional de 2015, mas têm a maioria dos
deputados no parlamento catalão.O Governo regional é formado pelo
Partido Democrático Europeu Catalão (antiga Convergência Democrática,
conservador) e Esquerda Republicana Catalã (socialista), ambos
separatistas.Este executivo minoritário recebeu o apoio no
parlamento da Candidatura de Unidade Popular (extrema-esquerda e
independentista) que lhe permitiu ter os votos necessários à marcação do
referendo de autodeterminação ilegalizado pelo Estado espanhol. Por
outro lado, Ínigo Méndez de Vigo criticou o "caos organizativo" e a
"improvisação" do referendo organizado unilateralmente pelos
separatistas.O ministro espanhol sublinhou que a consulta é
ilegal e não tem censo, boletins de voto, urnas, nem assembleias
oficiais de voto, com assembleias anunciadas na praça central de algumas
aldeias, um “exemplo do caos organizativo e da improvisação”.A
dois dias do referendo de domingo, a Generalitat assegurou hoje em
Barcelona que no domingo haverá mais de 2.300 assembleias de voto para
os catalães votarem no referendo, num claro desafio ao Estado espanhol,
que ilegalizou a consulta.Segundo o executivo catalão, haverá um
dispositivo de 7.235 pessoas para assegurar a votação no domingo, daqui a
dois dias e que “no domingo se irá votar” das 09:00 (08:00 em Lisboa)
até às 20:00 (19:00) apesar do “comportamento desproporcionado” do
Governo de Mariano Rajoy para impedir a consulta, “atacando os direitos
fundamentais”.A polícia apreendeu nos últimos dias milhões de boletins de voto e 45.000 convocações de membros das messas eleitorais.O
Tribunal Constitucional espanhol suspendeu, como medida cautelar, todas
as leis regionais aprovadas pelo parlamento e pelo governo da Catalunha
que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação.