Madeira vai manter estratégia de controlo de entrada de passageiros
Covid-19
2 de jun. de 2020, 18:00
— Lusa/AO Online
“A estratégia neste
momento é não alterar o que está [em vigor]. Queremos manter. A única
forma que temos de controlar focos potenciais na Madeira e Porto Santo, o
único modo que temos de proteger a vida e saúde dos madeirenses e
porto-santenses, é termos a capacidade de controlarmos as entradas na
região”, declarou o governante madeirense, durante uma visita à empresa
de autocarros que transportou os mais de mil passageiros que desembarcam
no Aeroporto Cristino Ronaldo, no Funchal, para as diferentes unidades
hoteleiras da ilha.Miguel Albuquerque
apontou que o controlo será feito através de testes de despiste à Covid-19: "Se o passageiro desembarcar na Madeira com um teste negativo
feito nas últimas 72 horas vai à sua vida e depois é acompanhado pela
autoridade de saúde”.“Caso não tenha o
teste, faz a sua quarentena numa unidade hoteleira com custos
assegurados pela Região Autónoma da Madeira, com todo o conforto”,
explicou.O chefe do executivo apontou que
“é preciso ter a noção de que uma pessoa infetada, mesmo
involuntariamente, é um foco perigosíssimo e potencial de infeção de
imensas pessoas e famílias, pondo em causa até os grupos mais
vulneráveis", como os mais idosos.Miguel
Albuquerque informou que estas medidas foram adotadas “no quadro da
Proteção Civil”, que é uma lei “não aprovada pela região” e cuja
aplicação depende da “autoridade regional de saúde, que tem a
competência, em nome da salvaguarda da vida e da saúde pública dos
madeirenses e porto-santenses, para introduzir determinadas restrições e
cautelas”.“Portando, não estamos aqui a
violar Direitos, Liberdades e Garantias. Estamos para proteger outros
direitos, como o direito à saúde e à vida da restante população, para
restringir e salvaguardar desses potenciais focos de infeção”, disse.O
governante sublinhou que na segunda-feira, depois de 25 dias
consecutivos sem novos casos, surgiu um novo infetado, “uma pessoa que
tinha chegado à região”."[Este caso] veio
dar-nos razão”, destacou Albuquerque, considerando que as medidas de
controlo adotadas na entrada na região “chamam-se humanização e sentido
de proporcionalidade, não existindo uma desproporção entre direitos”,“Temos
a faculdade de, em determinadas circunstâncias que a lei estabelece,
restringirmos os direitos de circulação”, disse, recordando a cerca
sanitária imposta na freguesia de Câmara de Lobos entre 19 de abril e 03
de maio devido a um foco que surgiu num bairro social, garantindo que a
medida foi aplicada “sem por em causa Direitos, Liberdades e
Garantias”.Segundo Miguel Albuquerque, os
passageiros que chegam à Madeira têm uma opção, se não quiserem fazer a
quarentena: "Fazem o teste em Lisboa”.“Não
estamos a impor nada. Estamos a impor apenas aquelas que são as regras
sanitárias fundamentais para salvaguardar a vida dos madeirenses e
porto-santenses. É isso que está em questão”, sustentou.Albuquerque
já tinha afirmado que a região ia “respeitar a decisão do tribunal”
relativamente ao requerimento de ‘habeas corpus’ apresentado por uma
cidadã madeirense, tendo hoje sido declarada a sua “inutilidade”.O
líder do executivo sublinhou que a quarentena realizada na Madeira é
"diferente" da dos Açores, onde esta "era obrigatória e suportada pelos
passageiros".“Isso não acontece aqui
[Madeira], porque na região o passageiro tem uma alternativa: ou
apresenta o teste ou faz quarentena. Há uma liberdade de opção, não há
uma restrição absoluta do direito de circulação”, concluiu.O
Instituto da Administração de Saúde da Madeira (IASAUDE) reportou na
segunda-feira um total de 91 infetados na região, mais um, depois de 25
dias consecutivos sem novos casos, além de um total de 80 recuperados.