Madeira reclama acerto de contas e defende aposta na área marítima
PRR
2 de mar. de 2021, 13:49
— Lusa/AO Online
“Reclamámos
sobre outra vertente: é que os 130 milhões de euros para a Madeira não
perfaz os 5% [montante atribuído à região para apoio ao tecido
empresarial] , uma vez que o montante para Portugal aumentou e é
superior aos 15 mil milhões de euros e nós precisamos de 146 milhões de
euros para as empresas”, disse o governante social-democrata Miguel
Albuquerque.Falando aos jornalistas à
margem da visita que efetuou esta terça-feira a uma empresa de automação e
manutenção industrial, o governante madeirense referiu que fez chegar as
reclamações ao Governo nacional, na segunda-feira, o último dia da
consulta pública do PRR.Miguel Albuquerque salientou que está “em articulação com o presidente do Governo dos Açores” nesta matéria.O
governante insular recordou ainda que, na passada semana, tinha sido
feito “um acerto relativamente aquilo que era a necessidade do Governo
nacional cumprir o seu compromisso de distribuição no Plano de 5% para
cada região”.O chefe do executivo da
Madeira de coligação PSD/CDS-PP referiu também que “nas contas iniciais
dos 561 milhões de euros era apenas de 4%” o montante afeto às regiões
autónomas.Mas, “nessa conversa ficou o
acerto para o fundos das empresas que seria 1%, 140 milhões de euros
para os Açores e 130 milhões de euros para a Madeira”, sublinhou.No
debate mensal no parlamento da Madeira que decorreu em 25 de fevereiro,
Miguel Albuquerque mencionou que a região ia receber, ao abrigo do PRR,
561 milhões de euros a fundo perdido, mais 79 milhões de euros da
reprogramação de fundos comunitários e 130 milhões de euros para as
empresas, num total de 770 milhões de euros.Miguel
Albuquerque também salientou que teve “oportunidade de transmitir ao
primeiro-ministro [António Costa] que era importante que este plano
contemplasse, no quadro nacional e da importância das acessibilidades, a
reconversão, modernização e operacionalidade das acessibilidades
marítimas”.O líder do executivo regional
insular destacou igualmente a importância para a Madeira dos “portos e
marinas e indústria naval”, algo que “está inscrito no Plano Estratégico
do Mar”.“Nós [Governo da Madeira] também
achamos essa área vital para o futuro do país”, realçou, argumentando
que “a plataforma continental portuguesa vai ter no futuro cerca de
quatro milhões de quilómetros quadrados, vai ser a décima do mundo”.Por
isso, sustentou, “precisa de ter neste plano de resiliência uma forte
componente de investimento na investigação, na modernização logística
dos portos e na utilização e exercício da soberania sobre aquilo que é a
maior riqueza, que é o mar, para além das pessoas”.“Apresentámos
o dossiê ontem [segunda-feira] e os Açores também, porque foi a data de
encerramento da discussão pública e deixámos a nossa posição muito
clara num documento que está no âmbito desta consulta pública”,
concluiu.O Plano de Recuperação e
Resiliência, que Portugal apresentou para aceder às verbas comunitárias
para fazer face às consequências da pandemia de covid-19, prevê 36
reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, do clima e digitalização,
correspondentes a um total de 13,9 mil milhões de euros de subvenções.Depois
de um primeiro esboço apresentado à Comissão Europeia em outubro
passado, e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo
português colocou a versão preliminar e resumida deste plano em consulta
pública, no início da semana passada.Segundo
o executivo, foram definidas três "dimensões estruturantes" de aposta -
resiliência, transição climática e transição digital -, às quais serão
alocados 13,9 mil milhões de euros de subvenções a fundo perdido das
verbas europeias.No documento, estão também previstos 2,7 mil milhões de euros através de empréstimos.