Madeira quer "ir mais longe" na redução de impostos com a revisão da Lei das Finanças Regionais
16 de nov. de 2023, 09:55
— Lusa/AO Online
“Em
matéria fiscal, as três linhas essenciais de intervenção definem-se em
mais justiça fiscal, mais autonomia fiscal e mais competitividade
internacional”, declarou Rogério Gouveia na Assembleia Legislativa da
Madeira, na discussão do Programa do Governo Regional (PSD/CDS) para o
período 2023-2027.O governante madeirense
considerou que o Programa revela o empenho do executivo insular na
“continuação do desagravamento fiscal em sede de IRC (Imposto Sobre
Rendimento de Pessoas Coletivas) e IRS (Imposto Sobre o Rendimento
Pessoas Singulares)”.Mas, complementou,
pretende “ir mais longe e perspetivar a redução de outros impostos, como
as taxas do IVA, sendo fundamental e urgente, para esse efeito, a
revisão da Lei das Finanças Regionais”.Rogério
Gouveia salientou que a ação do executivo vai “atestar a defesa
intransigente do Centro Internacional de Negócios”, criticando a
“absoluta negligência e irresponsabilidade” do Governo da República
nesta matéria e adiantou que vai lutar pelo crescimento do Registo
Internacional de Navios e implementar o Registo Internacional de
Aeronaves da Madeira.Também falou do
combate “sem tréguas” à burocracia, visando um serviço público “moderno,
confiável e relevante” e indicou que o Porto Santo volta a ser uma
prioridade.Para o secretário é também
“determinante assegurar o aproveitamento integral dos fundos europeus”
que devem ser orientados para projetos e iniciativas de comprovada
mais-valia para a Região, atestando que se regista “um bom ritmo de
execução do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência)” neste arquipélago.Falando
sobre o relacionamento institucional com a República, o governante
insular apontou que, “independentemente da disponibilidade para o
diálogo”, a Madeira vai continuar a reivindicar o que “lhe é devido” ou
está em dívida.Segundo Rogério Gouveia, o
Programa “delineia um rumo para a Região” e traduz “a preocupação com a
aproximação de anos decisivos para o futuro da Madeira”“O
principal propósito da Secretaria das Finanças é o garantir o
financiamento das políticas públicas, razão pela qual a consolidação
orçamental e a sustentabilidade das finanças públicas está prevista como
o primeiro dos compromissos, ao serviço de uma Região dinâmica e
competitiva”, disse.O deputado do PS (o
maior partido da oposição) Gonçalo Aguiar defendeu a redução do IVA
(imposto sobre o consumo) no próximo ano, uma medida que o Governo
Regional tem afirmado que não vai aplicar, argumentando que não
beneficia os consumidores.O socialista
apontou que a redução daquele imposto, “ao contrário do que o Governo
[Regional] tenta dar a entender”, teria “efeito positivo na economia
regional” e resultaria numa “maior disponibilidade financeira para as
famílias”.Também o deputado do Chega
Miguel Castro considerou que a redução do IVA “beneficia sempre o
consumidor final” desde que haja “uma fiscalização séria por parte do
Governo Regional”.Por seu turno, Nuno
Morna, da Iniciativa Liberal, afirmou que “é falso que a Madeira registe
a maior baixa de impostos”, apontando que é nos Açores que isso
acontece com a aplicação do diferencial fiscal de 30% do IVA.O
deputado único do BE, Roberto Almada, criticou que o executivo
madeirense tenha aplicado o diferencial fiscal de 30% no IRC (Imposto
sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas), beneficiando as empresas, e
insista em não aplicar a redução em matéria de IVA.A
deputada do PAN, Mónica Freitas, salientou a importância da
modernização e melhoria de qualidade dos serviços públicos e questionou o
secretário regional sobre medidas a adotar para a conciliação da vida
profissional, pessoal e familiar dos trabalhadores da administração
pública.Já o eleito do PCP, Edgar Silva,
perguntou a Rogério Gouveia de que forma será feita a reestruturação das
empresas públicas da região, referida no Programa do Governo Regional.Pelo
JPP, Élvio Sousa disse que a Lei das Finanças Regionais é “uma criação”
do PSD e do CDS-PP, apontando que estão agora a criticar a “própria
conceção”.O Programa do Governo Regional,
composto por 190 páginas e dividido em nove capítulos, começou hoje a
ser discutido na Assembleia Legislativa da Madeira, terminando na
sexta-feira com a votação da respetiva moção de confiança.