Madeira prevê receber 80 ME até ao segundo semestre de 2021
PRR
24 de fev. de 2021, 11:22
— Lusa/AO Online
Pedro Calado
explicou, em conferência de imprensa, no Funchal, que a Madeira deverá
receber 561 milhões de euros de afetação direta em subvenções e 130
milhões através de programas nacionais, canalizados pelo Instrumento de
Recuperação e Resiliência (IRR), bem como 79 milhões de euros por via do
REACT-EU - Iniciativa de Assistência à Recuperação para a Coesão e os
Territórios da Europa. No total, o governo
madeirense, de coligação PSD/CDS-PP, prevê ter acesso a 770 milhões de
euros no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, para financiar
projetos até 2026, sendo que conta receber já dois adiantamentos até ao
final do ano, 73 milhões euros por via do IRR e sete milhões de euros
através do REACT-EU."Apesar destes
processos serem muito burocráticos e pesados em termos de aprovações,
nós contamos que as verbas afetas ao REACT-EU estejam disponibilizadas
até ao final do primeiro semestre deste ano [junho] e as verbas do IRR,
na melhor das hipóteses, comecem a ser disponibilizadas no segundo
semestre deste ano [outubro]", afirmou Pedro Calado. Em
relação aos 561 milhões de euros de afetação direta, o vice-presidente
do executivo indicou que serão canalizados para três grandes áreas:
resiliência (378 milhões de euros), transição climática (69 milhões de
euros) e transição digital (114 milhões de euros). Ao
nível da resiliência, o Governo da Madeira prevê investir 88 milhões de
euros no setor da saúde, 136 milhões de euros na habitação social, 83
milhões de euros em respostas sociais e 70 milhões de euros na gestão
hídrica. Na área da transição climática, a
verba será totalmente aplicada no reforço das energias renováveis, ao
passo que ao nível da transição digital 21 milhões de euros serão
canalizados para o setor da educação (escola digital), 15 milhões de
euros para a saúde e 78 milhões de euros para a administração pública e
cibersegurança.Pedro Calado indicou,
ainda, que o governo conta apoiar o tecido empresarial com 130 milhões
de euros em subvenções através de programas nacionais.O
governante madeirense afirmou, por outro lado, que a região autónoma
exige o "mesmo tratamento" das outras regiões do país na afetação das
verbas do PRR, que se encontra agora em consulta pública. "Não
pode continuar a haver, sob qualquer pretexto, nenhuma outra razão de
discriminação negativa para com a Região Autónoma da Madeira face aos
valores que estão a ser disponibilizados ao nível nacional", disse,
sublinhando que a região exige também participar em "todos os conselhos
de acompanhamento, de gestão, de decisão e de auditoria" destes fundos.Pedro
Calado lamentou que o PRR não contemple o pacote de projetos para
modernização de infraestruturas portuárias apresentado pelo executivo,
na ordem dos 172 milhões de euros, indicando que a Madeira vai insistir
na importância deste investimento.De
acordo com o governante, o Plano de Recuperação e Resiliência prevê mais
de 1.000 milhões de euros para melhoramento de infraestruturas ao nível
nacional e destina 60 milhões aos Açores para obras portuárias."Não
consigo perceber por que há uma lógica para o continente, uma lógica
para os Açores e uma lógica diferente para a Madeira", disse.O
Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, para aceder às verbas
comunitárias pós-crise da covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos
nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões
de euros em subvenções.Depois de um
rascunho apresentado à Comissão Europeia em outubro passado e de um
processo de conversações com Bruxelas, o Governo português colocou hoje a
versão preliminar e resumida do Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) em consulta pública, no qual estipula “19 componentes, que
integram por sua vez 36 reformas e 77 investimentos”.O
executivo justifica que, “com base no diagnóstico de necessidades e dos
desafios”, foram definidas três “dimensões estruturantes” de aposta - a
da resiliência, da transição climática e da transição digital -, às
quais serão alocados 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo
perdido das verbas europeias pós-crise.No
documento, estão também previstos 2,7 mil milhões de euros em
empréstimos, mas fonte do executivo garante que “ainda não está
assegurado” que Portugal irá recorrer a esta vertente do Mecanismo de
Recuperação e Resiliência, o principal instrumento do novo Fundo de
Recuperação da União Europeia.Previsto
está que a maior fatia (61%) das verbas do PRR se destine à área da
resiliência, num total de 8,5 mil milhões de euros em subvenções e de
2,4 mil milhões de euros em empréstimos.