Madeira pretende criar mercado próprio de habitação pública
21 de ago. de 2025, 15:55
— Lusa/AO Online
“É
essa via que temos de seguir. Penso que está ao nosso alcance”, disse
Miguel Albuquerque, sublinhando que atualmente estão a ser construídas
“centenas de fogos nas diversas modalidades” na região autónoma.“A habitação é um problema que não é difícil de resolver”, afirmou. Miguel
Albuquerque falava na sessão solene comemorativa do 517.º aniversário
da Cidade do Funchal, que decorreu nos Paços do Concelho, onde assegurou
que o Governo Regional e a autarquia, também liderada por uma coligação
PSD/CDS-PP, vão continuar a colaborar nos projetos “estruturantes e
fundamentais” para o município, nomeadamente ao nível da habitação
pública e da mobilidade.O chefe do
executivo madeirense explicou que pretende “atualizar e adaptar” à
região a lei-quadro nacional de habitação, criando mecanismos que
permitam avançar com um mercado próprio regional no setor público.“Ou
seja, para além de ultrapassarmos as limitações burocráticas e
sobretudo algumas fraudes potenciais que a própria habitação social pode
gerar, criamos um mercado de arrendamento e de alienação de habitação
pública, como existe noutros países”, explicou, defendendo que a
habitação apoiada pelo Estado “nunca pode entrar no mercado de transação
normal”.Albuquerque lembrou que o mercado
imobiliário privado rendeu 1.000 milhões de euros na Madeira em 2024,
mas sublinhou ser fundamental “criar um mercado de habitação pública que
não pode entrar no mercado normal”.O
presidente do Governo Regional disse, a propósito, que o rácio de
habitação pública na Madeira já é de 5% em função da população (cerca de
250.000 habitantes), o que representa o dobro do continente.Por
outro lado, defendeu alterações na lei do arrendamento, para estimular o
mercado, vincando que “o senhorio não pode continuar a ser visto como
um especulador”.Na sessão solene do Dia da
Cidade do Funchal, Miguel Albuquerque apontou também a mobilidade como
uma prioridade, destacando a construção, já em curso, de um novo eixo
rodoviário de atravessamento horizontal da cidade, orçado em 400 milhões
de euros, e novos arruamentos nas zonas altas do concelho, o mais
populoso da região autónoma, com 108.129 habitantes (dados oficiais
referentes a 2024).Já a presidente da
Câmara Municipal do Funchal, Cristina Pedra, afirmou que a gestão
camarária liderada desde 2021 pela coligação PSD/CDS-PP, após oito anos
de governação de coligações encabeçadas pelo PS, tornou a autarquia
“mais robusta” financeiramente e assegurou mais apoios sociais e menos
carga fiscal sobre os munícipes e as empresas.No
seu discurso, a autarca enumerou as principais obras e medidas levadas a
cabo nos últimos quatro anos e sublinhou ter sido “uma honra e um
privilégio” servir a causa pública, mas vai abandonar a equipa após as
eleições autárquicas de 12 de outubro. Cristina
Pedra assumiu a presidência da Câmara Municipal do Funchal no início de
2024, depois de Pedro Calado ter renunciado ao cargo, na sequência do
processo judicial que investiga suspeitas de corrupção da Madeira, no
qual foi constituído arguido, tornando-se a primeira mulher a chefiar o
executivo camarário em 517 anos de história. Na
sessão solene comemorativa do 517.º aniversário da Cidade do Funchal
foram homenageadas cinco personalidades com a atribuição da Medalha de
Mérito Municipal, Grau Ouro: Cecília Berta Fernandes Pereira (antiga
diretora regional de Educação Especial), Francisco Simões (escultor),
José Nelson Rodrigues Coelho (empresário), Mário André Rosado (músico) e
Rui Alberto Camacho (fotógrafo, investigador e músico).Foram
ainda distinguidos três munícipes com a insígnia municipal “Munícipe
Centenário” – Maria José Gouveia da Silva, Florinda de Freitas Pinto e
Maria Celeste Nóbrega, que completaram 100 anos.