Madeira não sabe quanto recebe mas espera um "bom acordo" para a região
UE/Cimeira
21 de jul. de 2020, 17:22
— Lusa/AO Online
“Este acordo, que já foi
considerado publicamente como um bom acordo para Portugal, também terá
de ser um bom acordo para a Madeira, reconhecendo a dependência da
atividade turística, mas fazendo valer também a natureza ultraperiférica
da região, salvaguardada, inclusive, no Tratado da União Europeia”,
afirma Pedro Calado, numa nota distribuída hoje. O
governante madeirense “congratula-se” com o acordo relativo ao Fundo de
Recuperação Europeu, no qual ficou reservado um envelope financeiro na
ordem dos 15,3 mil milhões de euros para Portugal.Sobre
o montante, o executivo (PSD/CDS-PP) salienta que “ainda não está
definido em que condições é que será depois repartido internamente,
incluindo as regiões autónomas”.Contudo,
considera, o processo deve decorrer “numa distribuição com critérios
mais vastos do que apenas a distribuição per capita, tendo em conta a
ultraperificidade e a dependência do setor do turismo”, o principal
motor económico da Madeira.No seu
entender, é necessário levar em conta que, a nível nacional, deve
registar-se uma redução do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem dos 10% a
11%, enquanto “na Madeira, no pior dos cenários que estão traçados,
pode ir até aos 23%”.Para Pedro Calado, é
compreensível que “o Governo da República já tenha reservado para o
Algarve um programa específico de apoio na ordem dos 300 milhões de
euros, que é justificado pelo desemprego naquela região, mas também pela
sua forte dependência do turismo”.Mas,
realça, “a Madeira e os Açores também estão confiantes de que esse
critério seja também pesado nas ajudas que forem concedidas às duas
regiões autónomas”.O governante não refere
o montante pretendido pela Madeira, argumentando que “dependerá dos
critérios que forem agora definidos pelo Governo da República e das
negociações entre os dois governos”, mas afirma que “terá de ser
superior aos 700 milhões de euros, que corresponderiam a uma simples
operação aritmética com base numa distribuição per capita”. “Fazemos
também questão de transmitir ao Governo da República que a Madeira
espera ser reconhecida pelo esforço que teve com o controlo da despesa
pública até ao período antes da covid e também queremos ser reconhecidos
por todo o esforço que fizemos de contenção no período covid”,
sublinha.O Governo da Madeira quer relançar a economia reduzindo a dependência em relação ao turismo e à construção civil.“Queremos
relançar a economia noutras áreas, como a investigação, a ciência e as
novas tecnologias, e dinamizar diversas outras áreas”, refere.O
Conselho Europeu aprovou nesta madrugada um acordo para retoma da
economia da União Europeia pós-crise covid-19, associado ao orçamento
europeu para 2021-2027, num valor total de 1,82 biliões de euros.Numa
cimeira histórica, a segunda mais longa da União Europeia (UE), foi
aprovado um Quadro Financeiro Plurianual para 2021-2027 de 1,074 biliões
de euros e um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões, em que pouco
mais de metade são subvenções.Ao todo,
Portugal vai arrecadar 45 mil milhões de euros em transferências nos
próximos sete anos, montante no qual se incluem 15,3 mil milhões de
euros em subvenções no âmbito do Fundo de Recuperação e 29,8 mil milhões
de euros em subsídios do orçamento da UE a longo prazo para 2021-2027.Do
Fundo de Recuperação, 390 mil milhões de euros serão atribuídos aos
Estados-membros em subvenções (transferências a fundo perdido) e os
restantes 360 mil milhões em forma de empréstimo.