Madeira lamenta que Estado não dê aval ao financiamento necessário da região
Covid-19
9 de jun. de 2020, 16:59
— Lusa/AO Online
"É bom que os madeirenses e
porto-santenses comecem a pensar num Governo [da República, liderado
pelo socialista António Costa] que está disponível para dar aval à TAP,
por exemplo, que mete mais de 800 milhões de euros no Novo Banco, mas
que não está disponível para dar aval à região", disse o chefe do
executivo, Miguel Albuquerque, em videoconferência, no Funchal. O
governante falava no âmbito da apresentação de novos apoios sociais,
aprovados hoje pelo executivo de coligação PSD/CDS-PP, destinados aos
trabalhadores em ?lay-off' e aos trabalhadores independentes."A
região precisa de se financiar o mais rapidamente possível", declarou,
explicando que o governo prevê uma perda de receitas fiscais de 195
milhões de euros até dezembro, ao passo que os gastos com a covid-19 já
atingiram os 120 milhões de euros e deverão chegar aos 170 milhões em
2021. "Ou seja, vamos fazer uma operação
de financiamento sem aval, que vai custar ao serviço da dívida três a
cinco milhões de euros por ano, porque temos um Governo que acha que nós
não somos portugueses", disse Miguel Albuquerque.E
reforçou: "É uma coisa que exige uma reflexão por parte dos madeirenses
e dos porto-santenses. Não sei o que é que nós fizemos para merecer
isto. Mas é algo que convém nos interrogarmos."Miguel
Albuquerque considerou, por outro lado, que o Orçamento Suplementar
"traz água na boca", ao propor o endividamento das regiões autónomas até
10% do Produto Interno Bruto (PIB) regional de 2018, que no caso da
Madeira foi de 4.890 milhões de euros."Este
Orçamento Suplementar não faz nenhum favor à Madeira, porque não há
nenhuma verba a fundo perdido", afirmou, vincando que a região pretende,
antes, recorrer à banca com base nas propostas aprovadas na sexta-feira
na Assembleia da República, que suspendem a Lei das Finanças Regionais
em relação a limites de endividamento e adiam o pagamento de três
prestações (144 milhões de euros) do empréstimo feito à Madeira."O
apelo que fazemos é para que estas duas propostas saiam rapidamente das
comissões especializadas para permitir o financiamento de 300 milhões
que o executivo pretende contrair", sublinhou. Ainda
antes da discussão das propostas no parlamento nacional, o
vice-presidente do governo madeirense, Pedro Calado, disse ter recebido
do Governo da República a indicação de que o executivo nacional não
daria aval à região para um endividamento de até 500 milhões de euros,
no âmbito do Orçamento Suplementar, conforme tinha anunciado o deputado
do PS na Assembleia Legislativa da Madeira Paulo Cafôfo.No
Programa de Estabilização Económica e Social, publicado no sábado à
noite em Diário da República, está previsto que as duas regiões possam
aumentar o seu endividamento líquido até 10% do Produto Interno Bruto
(PIB) regional, uma medida que representa 948 milhões de euros.Para
tal, é necessária uma alteração ao Orçamento do Estado para 2020, que
será contemplada no Orçamento Suplementar, a apresentar à Assembleia da
República.Hoje, no comunicado do Conselho
de Ministros, é referido que o executivo nacional autoriza “o aumento do
endividamento líquido das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira”.“Suspendem-se
os limites ao endividamento regional estabelecidos na Lei das Finanças
das Regiões Autónomas”, acrescenta o Governo.O
arquipélago da Madeira mantém o total acumulado de 90 casos de infeção
pelo novo coronavírus, já com 85 doentes recuperados, sendo que os cinco
ainda ativos não necessitam de cuidados hospitalares. Portugal
contabiliza pelo menos 1.492 mortos associados à covid-19 em 35.306
casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral
da Saúde (DGS).