Madeira fixa Unidade de Cultura no arquipélago em 1.500 metros quadrados
Hoje 12:34
— Lusa/AO Online
“É
importante reconhecer os problemas e agir”, disse o secretário regional
do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, na apresentação do
diploma em plenário, sublinhando que a iniciativa estabelece o Regime
Jurídico da Estruturação Fundiária e a Unidade de Cultura na Região
Autónoma da Madeira, através da adaptação da Lei nacional de 2015 que
aprovou o Regime Jurídico da Estruturação Fundiária (RJEF).O
governante referiu que a definição dos 1.500 metros quadrados como
limite mínimo assenta num estudo técnico e jurídico, explicando que,
apesar de não ser uma “dimensão ótima” em termos de rentabilidade
agrícola, visa travar a “fragmentação contínua” da propriedade
madeirense.Eduardo Jesus explicou que o
diploma prevê exceções, como a criação de parcelas com 500 metros
quadrados, protege a herança familiar e assegura a continuidade das
pequenas parcelas agrícolas.A proposta de
decreto legislativo, aprovada na generalidade, considera que a
estrutura fundiária da Madeira apresenta “características singulares” no
contexto nacional, resultantes de fatores históricos, geográficos e
socioeconómicos que condicionam a aplicação direta do regime nacional.A
orografia acentuada, a organização da paisagem agrícola em socalcos, a
rede de levadas, a prevalência de microparcelas resultantes de
fragmentação sucessória multigeracional, bem como a persistência de
situações jurídicas decorrentes do antigo Regime de Colonia, configuram
uma “realidade fundiária insular estruturalmente distinta da verificada
no território continental”.“Esta é uma
adaptação às especificidades regionais”, sublinhou Eduardo Jesus,
afirmando que reforça as políticas do executivo de apoio à agricultura e
preservação da paisagem e constitui mais um “passo sólido, técnica e
juridicamente sustentado”.O diploma foi aprovado com votos a favor de PSD e CDS-PP, contando com a abstenção das bancadas de JPP, PS, Chega e IL.No
debate, o JPP, o maior partido da oposição madeirense, reconheceu que a
iniciativa do Governo Regional “parte de um problema real”, mas
questionou a definição dos 1.500 metros quadros como limite mínimo das
parcelas, com o deputado Miguel Ganança a considerar que a situação da
propriedade madeirense é de tal forma complexa, que o novo regime pode
criar ainda mais bloqueios e dificuldades aos proprietários.Já
o PS argumentou que o Governo Regional “não tem um rumo para a
agricultura” e considerou que a definição da unidade de cultura em 1.500
metros quadrados não resolve a “falta de estratégia” para o setor, que,
segundo disse a deputada Sílvia Silva, em 10 anos perdeu 15% da área
para o imobiliário.O deputado único da IL,
Gonçalo Maia Camelo, também manifestou dúvidas sobre o novo regime
proposto pelo executivo, sustentando que se trata de uma “adulteração”
do regime nacional e não propriamente de uma adaptação, tendo apontado
algumas lacunas em termos jurídicos.As
bancadas do Chega e do CDS-PP não se pronunciaram sobre o assunto,
enquanto o PSD reforçou a posição assumida pelo secretário regional, com
a deputada Rafaela Fernandes a sublinhar que se trata de um “passo
significativo” e constitui um “exemplo excelente” do exercício da
autonomia.Na reunião, a maioria
PSD/CDS-PP chumbou um projeto de resolução do JPP que recomendava ao
Governo Regional a construção da cobertura dos campos de jogos das
escolas EB1/PE e Creche de Santa Cruz e EB1/PE e Creche do Jardim da
Serra.Este diploma contou com os votos favoráveis do partido preponente, do PS e do Chega, sendo que a IL se absteve.