Madeira e Açores consideram “despropositada” posição de ministro sobre tempo de serviço dos professores
14 de set. de 2022, 10:23
— Lusa/AO Online
“Nós
entendemos que estas declarações, sendo completamente despropositadas,
não deixam também de ter uma outra intenção, que é a de encobrir aquilo
que são as incompetências do Partido Socialista para governar a educação
em Portugal”, disse Jorge Carvalho, secretário da Educação, Ciência e
Tecnologia da Madeira.O governante falava à
margem da cimeira insular entre os governos das duas regiões autónomas,
que decorreu no Funchal, em conjunto com a secretária da Educação e dos
Assuntos Culturais dos Açores, Sofia Ribeiro.“Acompanhamos
esta posição do secretário regional da Educação, Ciência e Tecnologia
da Madeira, sendo que gostaria de frisar que este constitui, no nosso
entendimento, um desrespeito à autonomia regional”, disse a governante
açoriana. Jorge Carvalho e Sofia Ribeiro
reagiam assim às declarações do ministro da Educação, João Costa, em
entrevista à Lusa.O
ministro avisou os professores que é escusado “empatar tempo” com
negociações sobre recuperação do tempo de serviço congelado durante a
’troika’, mas compromete-se a não haver mais congelamentos.Durante
o período de assistência financeira da ‘troika’, a carreira dos
professores esteve congelada durante nove anos, quatro meses e dois
dias, dos quais o Governo aceitou recuperar quase três anos.Questionado
sobre a desigualdade em relação aos docentes das ilhas dos Açores e da
Madeira, que conseguiram recuperar de forma faseada todo o tempo de
serviço, João Costa explicou que o salário mensal é pago pelo orçamento
regional, mas “a pensão é paga pelo Orçamento do Estado do Governo da
República”.“Se eu pudesse dizer assim
‘muito bem os professores que estão aqui no continente, mas quando se
aposentarem, outro paga’, se calhar também tinha condições para
recuperar integralmente o tempo de serviço. Temos de ter seriedade
também na forma como analisamos estas questões. Os Açores e Madeira
podem, porque não têm o peso das aposentações”, afirmou.Na Madeira, o secretário da Educação reagiu considerando as declarações do ministro “lamentáveis”.“Convém
lembrar ao senhor ministro de que os professores das regiões autónomas
da Madeira e dos Açores, tal como todos os outros professores do
continente, descontam para a Caixa Geral de Aposentações”, disse Jorge
Carvalho, reforçando: “Estranho seria que os professores das regiões
autónomas, confiando os seus descontos ao Estado, este não os devolvesse
no seu tempo devido, ou seja, as respetivas pensões.”E
acrescentou: “Aquilo que deveria ser relevado é o facto de as regiões,
com o orçamento próprio, possam ter valorizado a Educação.”A secretária da Educação e dos Assuntos Culturais dos Açores reforçou esta posição.“De
acordo com os estatutos politico administrativos das duas regiões
autónomas, nós temos a competência da gestão das nossas administrações
regionais e é precisamente essa boa gestão que estamos a fazer para,
neste caso específico, dignificar o profissão docente e recuperar uma
série de situações que fizeram com que se desvalorizasse a profissão”,
afirmou Sofia Ribeiro.