Madeira disponibiliza “tudo o que é necessário” na investigação sobre a Zona Franca
18 de mar. de 2021, 12:09
— Lusa/AO Online
"Em primeiro lugar, o Governo
Regional, e a minha pessoa, disponibiliza tudo o que é necessário para
se apurar o mais rapidamente a verdade, porque acho que é fundamental,
neste momento, esclarecer tudo o que é necessário esclarecer", disse o
chefe do executivo madeirense. Miguel
Albuquerque falava à margem de uma visita a uma vereda reabilitada na
zona do Paul da Serra, no concelho do Porto Moniz, zona norte da
Madeira, agora transformada em percurso recomendado para fins
turísticos. "Tenho 25 anos de vida
pública, para além da minha profissão, que exerci durante bastantes
anos, ao serviço da minha região e do meu país, e não tenho nada a
esconder e estou perfeitamente de consciência tranquila, uma vez que não
cometi qualquer ilegalidade, nem promovi qualquer ato ilícito",
declarou. O chefe do executivo, de
coligação PSD/CDS-PP, comentava assim o facto de várias instalações do
Governo madeirense e a Sociedade de Desenvolvimento da Madeira terem
sido alvo de buscas, na quarta-feira, pela Polícia Judiciária
relacionadas com a adjudicação da concessão de exploração do Centro
Internacional de Negócios da região, também designado por Zona Franca.Em
investigação, refere uma nota divulgada na página do Departamento
Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) na internet, estão "factos
suscetíveis de integrar a prática de crimes de prevaricação, corrupção e
participação económica em negócio", mas até hoje não foram constituídos
arguidos."Neste momento, acho que é
fundamental dizer que nós colaboramos totalmente com a Justiça. Não há
qualquer problema", afirmou, sublinhando nunca ter sido "pessoa de
promover esse tipo de esquemas de violação da lei". E
reforçou: "Eu não estou acusado de nada, nem estou condenado por nada.
Eu sempre atuei dentro dos padrões éticos e vou continuar a fazê-lo".Miguel
Albuquerque admite a eventualidade de poder tomar "decisões erradas ou
controversas", mas sublinha que isso não é a mesma coisa que tomar uma
decisão ilícita. A investigação movida
pelo DCIAP aponta para "factos relacionados com a adjudicação, por
ajuste direto, pelo Governo Regional da Madeira, da concessão da
administração e exploração da Zona Franca da Madeira à SDM - Sociedade
de Desenvolvimento da Madeira, S.A".As
diligências desenvolvidas pela Polícia Judiciária, acrescenta o DCIAP,
"têm igualmente por objeto a investigação de uma eventual relação dessa
adjudicação com a venda, a um fundo imobiliário, de um conjunto de
imóveis onde se encontra instalada uma unidade turística", na Quinta do
Arco, que era propriedade do presidente do Governo Regional.Miguel Albuquerque afirma que, no caso da concessão da Zona Franca à SDM, a decisão foi certa. "Eu
acho que foi uma decisão certa, basta ver os resultados destes cinco
anos, em que a região teve, de facto, grandes vantagens e, aliás, estava
fundamentado também num quadro legal, em pareceres jurídicos", disse,
indicando, por outro lado, que a sua residência particular não foi alvo
de buscas. O presidente do executivo
relaciona, também, o facto de a investigação ter sido movida com base em
"denúncias anónimas" com motivos políticos. "Eu
acho que a denúncia foi feita com fundamento político. Mas nós, que
estamos há muitos anos na política, sabemos que isso acontece muitas
vezes", afirmou, realçando: "Sou uma pessoa que sempre respeitei a
Justiça e trabalhei na Justiça bastantes anos. Agora, toda a gente sabe o
que é que está por detrás disto".As
buscas de quarta-feira abrangeram, além das instalações da SDM, duas
residências particulares e duas sociedades comerciais, bem como a
Presidência e a Secretaria-Geral da Presidência do Governo da Madeira, a
Vice-Presidência, a Secretaria Regional da Economia, a Secretaria
Regional do Turismo e Cultura, a Direção Regional Adjunta das Finanças e
a Direção Regional Adjunta dos Assuntos Parlamentares, Relações
Externas e Coordenação.O DCIAP indicou que o inquérito se encontra em segredo de justiça.Também
na quarta-feira, o Grupo Pestana garantiu que "não é, nem nunca foi,
acionista da sociedade gestora" do fundo ao qual foi vendida a Quinta do
Arco, ou "detentor de unidades de participação do referido fundo",
sendo apenas inquilino, confirmando, no entanto, ter sido "alvo de uma
diligência judicial”.Numa resposta enviada
à agência Lusa, o grupo explicitou que "o fundo em questão é um fundo
de investimento imobiliário aberto e o Grupo Pestana não é, nem nunca
foi, acionista da sociedade gestora do fundo ou detentor de unidade de
participação do referido fundo, sendo apenas inquilino".O
Grupo Pestana também referiu que "não lhe compete comentar" as buscas
feitas pela Polícia Judiciária a instalações do Governo madeirense e à
Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM).Por
outro lado, a SDM confirmou, em comunicado, "ter sido alvo de uma
diligência judicial", mas reafirmou a "conduta transparente em todos os
atos" praticados, considerando que a investigação em curso constituiu
"uma excelente oportunidade para que se conclua da legalidade e boa-fé"
com que a sociedade "sempre atuou" neste processo.