Madeira defende gestão partilhada dos mares entre o Estado e as regiões autónomas
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
“Não faz sentido que as
regiões autónomas não tenham uma palavra a dizer aquando da concessão,
ou de licenciamentos da exploração dos seus mares”, afirmou, vincando
que esse processo deve ser conduzido pela República, mas tendo em
consideração também a posições da Madeira e dos Açores.José
Manuel Rodrigues falava no âmbito da primeira sessão de auscultação
pública para a criação do Hub Tecnológico Marítimo Portuário da Madeira,
que decorreu na Gare Marítima do Porto do Funchal.O
projeto é promovido pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP) e pretende
afirmar a região como um polo atlântico de referência, orientado para a
inovação, a competitividade e a sustentabilidade, capaz de gerar novas
oportunidades económicas, potenciando os setores tradicionais como os
emergentes e reforçando a ligação histórica e estratégica ao mar.“A
Madeira está situada num ponto estratégico do Atlântico, entre a
Europa, África e a América. Desse ponto de vista, com a nova
geoestratégica política mundial, a Madeira pode ter um papel importante e
criar um hub tecnológico, quer em termos de sistemas de segurança e
defesa, quer na investigação e na ciência”, explicou.José
Manuel Rodrigues, também líder da estrutura regional do CDS-PP, disse
que a “larga zona económica exclusiva” da Madeira constitui uma “riqueza
natural da região”, mas está ainda por investigar e por explorar.Por
isso, defendeu a gestão partilhada do mar entre o Estado e, neste caso,
a Região Autónoma da Madeira, situação que não está prevista na
Constituição.A sessão de auscultação
pública, aberta a profissionais do setor marítimo-portuário, empresas,
associações, investigadores, estudantes, comunidades locais e cidadãos
em geral, contou com a presença do almirante na reserva Henrique Gouveia
e Melo, que abordou o tema “Robótica de duplo uso e a sua aplicação no
Mar”.“Uma das áreas importantes é a
vigilância marítima e a Madeira pode ter um papel extraordinário no
desenvolvimento desse tipo de tecnologias”, disse o ex-candidato à
Presidência da República, explicando que a robótica de duplo uso pode
ser usada para defesa, mas também para fins civis e económicos.Henrique
Gouveia e Melo indicou que a tecnologia robótica ainda está numa “fase
muito incipiente” a nível nacional, mas considerou que o país tem
“grande potencialidades” de crescimento no setor.