Madeira com cerca de 2.000 alunos confinados não adiou reínicio das aulas
Covid-19
12 de jan. de 2022, 12:46
— Lusa/AO Online
“Temos cerca de 2.000, dos
41.000 alunos [da Madeira] em isolamento, o que não justificava uma
medida de âmbito global que abrangesse todo o sistema educativo, como
aconteceu a nível nacional”, afirmou Jorge Carvalho no plenário da
Assembleia Legislativa da região.O
governante realçou que a Madeira “foi a única região do país” que
manteve o calendário escolar e decidiu retomar as aulas do segundo
período letivo a 03 de janeiro, como previsto, enquanto o restante país
optou por adiar por uma semana (a 10 de janeiro).“É unânime que não deveríamos ter assumido o ensino à distância”, enfatizou.Os
últimos dados divulgados na terça-feira pela Direção Regional da Saúde
apontam que a Madeira registou 1.889 casos de Covid-19, o número diário
mais elevado desde o início da pandemia, num total de 8.926 infeções
ativas no arquipélago e 94 doentes internados.O
líder do grupo parlamentar do PS, o maior partido da oposição na
Assembleia da Madeira, ocupando 19 dos 47 lugares no hemiciclo, elogiou
este “ato de coragem, positivo, do não encerramento das escolas” do
executivo madeirense.Mas, Rui Caetano
criticou o facto de “as escolas não terem ainda condições e equipamentos
necessários para dar aulas à distância”.O
secretário regional contrapôs que foi “renovado totalmente o parque
informático das escolas”, com base no compromisso de substituição de 25%
anual dos equipamentos, realçando que “não existem computadores com
mais de quatro anos” nos diferentes estabelecimentos.“Há
capacidade de responder às diferentes situações”, vincou, admitindo que
apenas não foi conseguido o ensino online “a todas as turmas”.Contudo,
assegurou que “todos os alunos estão a ser acompanhados” e que “cada
escola vai implementando o melhor modelo”, seja presencial, à distância
ou misto, sempre que se justifique.Jorge
Carvalho esteve no parlamento a apresentar a primeira alteração ao
Decreto Legislativo n.º 14/2006/M, de 24 de abril, que estabelece o
regime jurídico aplicável aos núcleos infantis e respetivos titulares na
Região Autónoma da Madeira.O governante
realçou que a rede de creches é frequentada por cerca de 3.400 crianças,
“praticamente a totalidade dos alunos nesta faixa etária, e dá resposta
às necessidades”, constituindo estas estruturas socioeducativas de
pré-escolar “mais uma oferta”.Explicou que
a alteração proposta neste diploma visa “trazer a possibilidade de
estabelecer contratos-programa para estes núcleos infantis ficarem
integrados no sistema [educativo] e poderem usufruir da redução de 40%
das mensalidades das creches e, numa situação crítica, como a da atual
pandemia, poderem ser atribuídos apoios a estes estabelecimentos”.O
responsável referiu que existem sete destes núcleos infantis na região,
sendo cinco localizados no Funchal, um no Porto Santo e outro em Santa
Cruz, os quais abrangem 67 crianças e 15 titulares.Com
a alteração proposta neste diploma “ficam garantidas, com o devido
enquadramento, as atividades a desenvolver nestes espaços”, referiu,
acrescentando que a medida “não esgota responsabilidade pública”.Por
isso, estipula a atribuição de “um valor mensal 15% da retribuição
mínima mensal por cada criança, num total de 7.266 euros por mês e 87
mil euros anuais”. Os deputados das
diferentes bancadas manifestaram apoio a esta iniciativa, tendo o
parlamentar único do PCP, Ricardo Lume, insistido na importância de ser
criada uma rede de creches gratuita como forma também de combater o
défice demográfico.Paulo Alves, do JPP,
recordou que o partido havia proposto uma iniciativa semelhante em 2022,
que foi chumbada pela maioria do PSD/CDS.As iniciativas debatidas no plenário vão ser votadas na quinta-feira.