Madeira ainda não recebeu indicações do Governo sobre aval ao empréstimo de 458ME
Covid-19
7 de out. de 2020, 17:54
— Lusa/AO Online
"Já informei o Presidente da
República de que ainda não tínhamos recebido [qualquer indicação]",
afirmou Miguel Albuquerque, reforçando: "Informei o Presidente que
aquilo que era o compromisso ainda não está concretizado e tem de ser
concretizado até sexta-feira".O governante
falava à margem de uma visita ao cais de Machico, na zona leste da
Madeira, onde foram realizadas obras de requalificação e consolidação da
estrutura no valor de 1,8 milhões de euros. Miguel Albuquerque esclareceu que a região vai avançar com a operação de financiamento "com aval ou sem o aval" do Estado.Em
30 de setembro, o presidente do Governo Regional, de coligação
PSD/CDS-PP, anunciou que Marcelo Rebelo de Sousa lhe tinha comunicado
que podia contar com a aval do Estado ao empréstimo de 458 milhões, para
fazer face à crise socioeconómica gerada pela covid-19."O
que o Presidente da República me disse é que o Governo [da República]
ia assumir esse aval, porque é um aval que não tem implicações de
custos, nem ónus nenhuns para o Governo, mas para a Madeira é
importante, porque vai reduzir substancialmente os juros que temos a
pagar", explicou na altura. O executivo
madeirense não recebeu, contudo, até hoje qualquer comunicação do
Governo da República, liderado pelo socialista António Costa."Vamos
aguardar até sexta-feira, porque eu continuo a acreditar nas palavras
do senhor Presidente da República", disse Miguel Albuquerque. O
governante disse que o executivo está a analisar uma proposta
apresentada por um consórcio estrangeiro, explicando que o aval do
Estado permite uma redução substancial dos juros do empréstimo - de 1,3%
para 0,3% -, o que traduz uma poupança anual de 6 milhões de euros."Isto
significa que, se nós não tivermos o aval, a região vai ter um encargo
na amortização [em 14 anos] de cerca de 84 milhões de euros", disse,
sublinhando que isso é "um disparate".A
Região Autónoma da Madeira foi autorizada em sede de Orçamento
Suplementar do Estado a contrair um empréstimo até 10% do Produto
Interno Bruto (PIB) regional de 2018 - 495 milhões de euros - para fazer
face à crise provocada pela covid-19.O
Governo Regional vai, no entanto, recorrer a um financiamento de 458
milhões de euros, uma vez que o pagamento das últimas prestações da
dívida ao Estado, no âmbito do Programa de Ajustamento Económico e
Financeiro (PAEF), foi adiado.