Macron pede que UE tome decisões sobre mercado único e competitividade até junho
UE/Cimeira
Hoje 12:17
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas à entrada para o retiro informal dos
líderes da UE, aonde chegou acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich
Merz, Emmanuel Macron defendeu que a “Europa deve agir muito
claramente” para aumentar a competitividade da sua economia.“O
diagnóstico está feito – com os relatórios Draghi e Letta – e estamos a
ser muito pressionados [para agir], com uma pressão muito forte da
China, tarifas a serem-nos impostas pelos Estados Unidos e ameaças de
medidas coercivas. Tudo isso requer uma reação”, sustentou, antes de
entrar no castelo de Alden Biesen, onde decorre o retiro.Para
o chefe de Estado francês, a prioridade da UE deve ser tomar decisões
“a muito curto prazo” nas matérias em que já há consenso, designadamente
a nível de “simplificação [de burocracias], aprofundamento do mercado
único, questões energéticas e de financiamento”.Ao lado de Merz, Macron referiu ainda haver um “acordo franco-alemão muito forte sobre a união dos mercados de capital”.Além
destas questões de curto prazo, o Presidente francês considerou ainda
que a UE deve ter como prioridade “continuar a diversificar” as suas
parcerias a nível mundial, adotar medidas de preferência europeia em
“alguns setores críticos e ameaçados” e “continuar a financiar a
inovação, com financiamento público e privado”.“Vamos
avançar nesses aspetos e o importante é que andemos rápido e que
tomemos decisões muito concretas até junho. Em junho, veremos onde é que
estamos e, se em alguns aspetos não conseguirmos avançar a 27, então
decidirmos avançar no âmbito de cooperações reforçadas”, afirmou.As
cooperações reforçadas são um mecanismo que permite que um conjunto de
pelo menos nove Estados-membros decida avançar com parcerias em áreas
específicas, caso não se alcance um acordo entre os 27 Estados-membros
da UE.Por sua vez, o chanceler alemão
Friedrich Merz também defendeu que é preciso garantir que a UE tem uma
“indústria competitiva na Europa” e disse haver um acordo entre a França
e a Alemanha sobre estas matérias.“Espero
que hoje demos um passo em frente, sem tomarmos decisões, mas
preparando as decisões que serão tomadas daqui a quatro semanas, quando
nos reunirmos para a próxima cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas”,
em março, disse.Também em declarações à
entrada para este retiro, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán,
considerou que uma eventual adesão da Ucrânia à UE em 2027 não passa de
“belos sonhos”.Questionado sobre como é
que acha que a UE deve aumentar a sua competitividade, Orbán defendeu
que, “primeiro, é preciso acabar com a guerra, porque a guerra é má para
os negócios”.“Segundo, se precisas de
dinheiro para competires, não o dês a outras pessoas. Por isso, não
envies o teu dinheiro para a Ucrânia. Em vez disso, devias investi-lo na
tua própria economia. Terceiro, reduzir o preço da energia. É assim tão
simples, não é complicado”, disse.Os
líderes da União Europeia (UE), sem o primeiro-ministro português,
reúnem-se hoje num retiro na Bélgica para discutir como aumentar a
competitividade e o crescimento económico comunitário, quando se fala
numa Europa a duas velocidades na cooperação financeira.O
primeiro-ministro, Luís Montenegro, cancelou a sua participação no
retiro devido à situação de calamidade em Portugal, pelo que será
representado na ocasião pelo homólogo grego, Kyriakos Mitsotakis, que é
da mesma família política (Partido Popular Europeu) e da mesma região
(Europa do sul), segundo fontes governamentais.