Macron pede a Marine Le Pen "frieza" e "moderação"
2 de jul. de 2024, 17:44
— Lusa/AO Online
Para quarta-feira está
prevista uma reunião do Conselho de Ministros, em que se discutirá uma
vaga de nomeações que poderá incluir dirigentes e alguns embaixadores,
segundo várias fontes corroborantes citadas pela agência noticiosa
France-Presse (AFP). No entanto, a dimensão das nomeações está por
definir.Depois de Le Pen ter sugerido
estar em curso um "golpe de Estado administrativo", o Presidente da
República apelou esta tarde a Le Pen para mostrar "frieza" e
"moderação"."Há 66 anos que todas as
semanas se realizam nomeações e deslocações, nomeadamente no verão,
independentemente do momento político que as nossas instituições
atravessam, e não há qualquer intenção de alterar estas disposições nos
próximos meses", declarou o Presidente em comunicado.O
período de 66 anos refere-se ao nascimento da Quinta República, em
1958, que conferiu fortes poderes ao Presidente, incluindo em períodos
de "coabitação", ou seja, com um primeiro-ministro e um governo de lados
políticos diferentes.Nos termos do artigo 13.º da Constituição, o Presidente "nomeia para os cargos civis e militares do Estado".Para
toda uma série de altos cargos do Estado, estas nomeações são efetuadas
por decreto presidencial no Conselho de Ministros, mas com a assinatura
do chefe do Governo ou dos ministros.No
caso de a RN obter maioria absoluta no domingo à noite, na segunda volta
das eleições legislativas antecipadas, o partido fez saber que
governará a França, com o seu presidente, Jordan Bardella, como
primeiro-ministro, o que abriria uma coabitação efetiva com Macron.A
Quinta República já conheceu três períodos deste género, dois sob as
presidências de François Mitterrand (1986-1988 e 1993-1995) e um sob a
primeira presidência de Jacques Chirac (1997-2002).Le
Pen acusou hoje Emmanuel Macron de preparar "uma espécie de golpe de
Estado administrativo" para evitar que os partidos vencedores nas
eleições do próximo domingo tenham liberdade governativa.“Espero
que seja apenas um rumor”, declarou Marine Le Pen numa entrevista à
rádio France Inter, adiantando que no Conselho de Ministros da última
quarta-feira houve mais nomeações do que o habitual.De
acordo com rumores que chegaram até à líder da extrema-direita, Macron
pretende nomear o diretor-geral da polícia e da “gendarmerie” (polícia
militarizada francesa) e realizar várias outras nomeações para a
Administração francesa.“Para as pessoas que dão aulas de democracia para o mundo inteiro, acho isso surpreendente”, queixou-se Le Pen.Segundo
a líder da extrema-direita, após o “impulso democrático” que teve ao
convocar antecipadamente as eleições legislativas, depois da sua derrota
nas eleições europeias de 09 de junho, Macron agora “faz todo o
possível para dificultar o processo democrático” com a sua propaganda
eleitoral.Os candidatos União Nacional
(Rassemblemant National-RN, em francês), partido de Le Pen, aliados a um
grupo de conservadores foram os vencedores da primeira volta das
eleições legislativas em França no domingo - com 33% dos votos -,
colocando-os em condições de terem a maioria na Assembleia Nacional após
segunda volta, que acontecem no próximo domingo, ou até mesmo alcançar
uma maioria absoluta.Essa maioria
absoluta, que implicaria alcançar pelo menos 289 dos 577 deputados, é a
condição que o candidato a primeiro-ministro do RN, Jordan Bardella,
estabeleceu para governar.No entanto,
Marine Le Pen considerou um cenário que, se obtiver 270 lugares,
consultará outros deputados, como os do partido conservador Os
Republicanos para ver se estarão dispostos a apoiá-la em alguns projetos
legislativos e, em particular, para aprovar o Orçamento de Estado.A líder da extrema-direita reiterou que se chegarem ao Governo, não fará parte do executivo.“Não serei uma segunda primeira-ministra”, sublinhou Le Pen, acrescentando que atuará como líder do grupo parlamentar.