Macron pede a Berlim "solidariedade" europeia perante subida dos preços
Crise/Energia
17 de out. de 2022, 14:17
— Lusa/AO Online
Estas
declarações de Emmanuel Macron constam numa entrevista dada ao diário
francês Les Echos que vai ser publicada na íntegra na segunda-feira."Não
podemos cingir-nos às políticas nacionais porque isso cria distorções
dentro do continente europeu", afirmou o governante, segundo avançou a
AFP, que teve acesso à entrevista."A nossa
Europa, como durante a crise de covid-19, está num momento de verdade
(...). Devemos agir com unidade e solidariedade", acrescentou o chefe de
Estado francês.O Governo do chanceler
alemão Olaf Sholz, acusado de seguir sozinho com o seu plano de apoio de
200 mil milhões de euros para proteger as famílias e empresas face ao
aumento dos preços de energia, está sob pressão de vários parceiros da
União Europeia (UE) para aceitar mais solidariedade financeira."A Alemanha está num momento de mudança de modelo, cuja natureza desestabilizadora não deve ser subestimada", admitiu Macron.Mas,
"se queremos ser consistentes, não são as estratégias nacionais que
devem ser adotadas, mas sim uma estratégia europeia", insistiu Macron,
manifestando-se, no entanto, confiante "na força do eixo franco-alemão" e
na capacidade de ambos, em conjunto, "para levar a cabo uma estratégia
ambiciosa".Os líderes dos 27 da UE
reúnem-se na quinta e sexta-feira, em Bruxelas, com o objetivo de
encontrar uma resposta comum para o aumento dos preços da energia
provocado pela guerra na Ucrânia."Existe
solidariedade europeia em relação à Alemanha e é normal que exista
solidariedade da Alemanha em relação à Europa", enfatizou o Presidente
francês.Na mesma entrevista, Emmanuel
Macron preconizou um "forte apoio" e o "mais rápido possível" à
indústria automóvel europeia face à China e aos Estados Unidos."Defendo
fortemente uma preferência europeia neste aspeto e um forte apoio ao
setor automóvel. Temos que assumi-lo e deve acontecer o mais rapidamente
possível", declarou."Os americanos estão a comprar americano e estão a fazer uma estratégia muito ofensiva de ajuda estatal", argumentou Macron.Por
sua vez, "os chineses estão a fechar o seu mercado. Não podemos ser o
único espaço, o mais virtuoso em termos de plano climático, que
considera que não há preferência europeia", apontou.Emmanuel Macron vai estar presente na segunda-feira na abertura do Salão Automóvel de Paris.Na
edição deste ano do evento vão estar presentes um grande número de
fabricantes chineses, que pretendem lançar os seus modelos elétricos no
mercado europeu.