Macron continua contactos sem consenso sobre nomeação de novo primeiro-ministro francês
3 de set. de 2024, 12:26
— Lusa/AO Online
O Presidente francês reuniu-se no Eliseu com os seus dois
antecessores como chefe de Estado, o socialista François Hollande e o
conservador Nicolas Sarkozy, e com o primeiro-ministro demissionário,
Gabriel Attal.Macron
conversou também com Bernard Cazeneuve, primeiro-ministro e ministro na
época de François Hollande (2012-2017), que é até hoje o nome que
parecia estar no topo da lista para chefiar o Executivo, mas que não é
consensual na aliança de esquerda vencedora das últimas eleições, a Nova
Frente Popular (NFP).Após ter exercido o
cargo de primeiro-ministro, Cazeneuve abandonou o Partido Socialista
devido às suas divergências com a nova direção que se aproximou da
França Insubmissa (LFI, esquerda radical), de Jean-Luc Mélenchon, e
principal força da NFP.Macron reuniu-se com o presidente dos Republicanos da região de Hauts-de-France (no
norte), o conservador Xavier Bertrand, e com o líder centrista François
Bayrou, um dos principais aliados políticos do Presidente.Bernard
Cazeneuve será o escolhido se Macron optar por um caminho de
centro-esquerda, enquanto Xavier Bertrand será uma opção se o chefe de
Estado francês optar por uma orientação de centro-direita.Todas
as reuniões decorreram no mais rigoroso silêncio de todas as partes,
uma vez que o Eliseu não permitiu o acesso da imprensa ao seu pátio e
nem os interlocutores do Presidente francês fizeram quaisquer
declarações.Por conseguinte, não há
qualquer indicação concreta de quando Macron poderá anunciar a sua
decisão sobre a nomeação do próximo primeiro-ministro, numa altura em
que a França se aproxima do recorde de um governo demissionário em
funções durante a V República.Entretanto,
vários meios de comunicação franceses apontaram também o nome de Thierry
Beaudet, atual presidente do Conselho Económico, Social e Ambiental
(CESE), como uma nova possibilidade “muito séria” para o cargo.Beaudet
dedica-se à economia social e poderá desempenhar o papel de chefe de um
governo tecnocrático até à possível realização de novas eleições
legislativas em julho do próximo ano.No
entanto, não é claro se a divulgação do seu nome significa a intenção
real de ser nomeado pelo Presidente, que procura alguém que garanta
estabilidade, ou se se trata apenas de um ensaio para testar a sua
hipotética aceitação no cargo.Até ao
aparecimento do nome de Thierry Beaudet, o favorito parecia ser Bernard
Cazeneuve, como a alternativa de Macron em favor de uma esquerda muito
moderada contra Lucie Castets, a candidata a primeira-ministra imposta,
sem sucesso, pela coligação de esquerda NFP.O
nomeado escolhido pelo Presidente francês terá de enfrentar uma
Assembleia Nacional muito dividida e sem maiorias claras, um verdadeiro
puzzle, com ameaças de moções de censura entre os três grandes blocos
(extrema-direita, macronismo e aliança de esquerda).As
consultas de Macron com os partidos e os grupos parlamentares começaram
a 23 de agosto, mas, à exceção da rejeição de Lucie Castets, o
Presidente não tomou qualquer decisão, sendo acusado por uma parte da
oposição de exceder as suas funções ao tentar tecer alianças
parlamentares, uma tarefa que, em teoria, corresponde ao chefe do
Governo.O primeiro-secretário dos
socialistas, Olivier Faure, disse à rádio FranceInfo que a NFP irá
apoiar uma moção de censura contra “qualquer continuidade com o
macronismo” e que quer saber dos “projetos” independentemente dos nomes
que são dados.“Não sei que opções
políticas é que ele [Thierry Beaudet] defende”, afirmou o líder
socialista quando questionado sobre o possível candidato.No domingo, a agência de notícias AFP avançou que Macron deverá anunciar a nomeação do próximo primeiro-ministro na terça-feira.