Macron anuncia para breve reunião de chefias militares europeias sobre “frota fantasma russa”
2 de out. de 2025, 17:47
— Lusa/AO Online
Emmanuel Macron pediu um "avanço" na "política de obstrução" dessas embarcações. "De
forma muito concreta, nos próximos dias, os nossos chefes de
Estado-Maior, em coordenação com a NATO (Organização do Tratado do
Atlântico Norte), como parte da coligação, reunir-se-ão para desenvolver
ações conjuntas", declarou Macron em Copenhaga, Dinamarca, após uma
cimeira de chefes de Estado e de governo europeus.Entretanto,
o Ministério Público francês indicou que o capitão do petroleiro
russo "Boracay", apreendido recentemente pelas autoridades francesas e
que integra a “frota fantasma russa”, será julgado exclusivamente por
"recusa de cumprimento" pelo tribunal de Brest (oeste da França) a 23 de
fevereiro de 2026, após a sua libertação da custódia policial.Os
tribunais franceses abriram uma investigação por "falta de comprovação
da nacionalidade/bandeira do navio" e "recusa de cumprimento", e, em
seguida, remeteram "o capitão e respetivo imediato, ambos de
nacionalidade chinesa", sob custódia policial.O
Ministério Público francês "decidiu processar apenas o capitão", que
recebeu "uma intimação para comparecer perante o Tribunal Criminal de
Brest", enquanto o imediato foi posto em liberdade.Segundo
a imprensa francesa, o Ministério Público, que investiga a
autenticidade do pavilhão do petroleiro, os dois indivíduos foram
detidos na quarta-feira depois de um destacamento de soldados franceses
ter abordado o navio, cujas manobras chamaram a atenção das autoridades
francesas ao largo de Brest, costa atlântica de França.O
destacamento militar permanece a bordo do petroleiro, uma embarcação de
244 metros que zarpou do porto russo de Primorsk, perto de São
Petersburgo, com destino à Índia.O navio
navegou na costa escandinava no dia 22 de setembro, o mesmo dia em que
foram avistados aparelhos aéreos não tripulados (drones) no Aeroporto de
Copenhaga, obrigando ao encerramento do espaço aéreo.Três
dias depois, o petroleiro rumou para o Canal da Mancha, mas a 28 de
setembro desviou-se para se aproximar da costa francesa, onde foi
abordado por uma fragata da Marinha de Guerra francesa.No passado sábado, um destacamento militar abordou o petroleiro tendo a justiça francesa iniciado um processo.A
investigação decorre das dúvidas sobre a autenticidade do pavilhão do
navio, do Benim, e da recusa da tripulação em prestar as informações
solicitadas pela fragata francesa.Macron
referiu-se ao caso durante um debate ocorrido à margem da cimeira da
Comunidade Política Europeia, que decorreu em Copenhaga, tendo
defendido esforços no combate à frota de "petroleiros-fantasma"
utilizada pela Rússia para contornar as sanções europeias."Ao
intercetarmos estes navios, rompemos completamente a organização desta
frota, e isso é essencial para aumentar a nossa pressão sobre a Rússia
com o objetivo final de permitir à Ucrânia recuperar território", disse
Macron.A Ucrânia tem contado com ajuda
financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia
invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.Os
aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da
economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar
o esforço de guerra na Ucrânia.