Luso-venezuelanos pedem presença mais forte e ativa de Portugal no apoio a carenciados
Hoje 11:51
— Lusa/AO Online
O pedido foi feito por
Alvarinho Moreira, organizador de um jantar de acolhimento a Emídio
Sousa, que reuniu mais de 250 portugueses em Caracas, entre eles vários
conhecidos empresários.“Nem todos fomos
bafejados pela sorte. Temos portugueses e portuguesas em situação
crítica, sem pensão digna, sem recursos humanos, económicos, abatidos e
derrotados pela doença, pelo abandono e pela solidão. O Estado português
tem que ter uma presença mais forte e mais ativa nas nossas vidas”,
disse.Alvarinho Moreira explicou que a
comunidade lusa local, “apesar de envelhecida porque a juventude partiu
para outras paragens buscando melhor vida e oportunidades”, “continua de
pé, de cabeça erguida, lutando com o suor do seu rosto cada ano das
suas vidas para dignificar, honrar e engrandecer o nome de Portugal”.“É
importante reativar o Convénio Bilateral de Reformas e Pensões do
Estado Português no Estado venezuelano, que nos permita voltar a ter
aqui e também lá em Portugal uma reforma em euros que nos ajuda a
terminar os dias com um teto, bem agasalhados, com medicamentos e, muito
importante, pãozinho e vinho nas nossas mesas”, disse.Alvarinho
Moreira pediu ainda ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
coisas “que podem parecer simples, banais e sem importância, mas que
para quem vive a 6.500 quilómetros de casa, são sumamente importantes”.Entre
essas coisas apontou os jogos de futebol português, que desapareceram
da RTP Internacional, cerejas em maio, sardinhas em junho, castanhas em
novembro, e bacalhau e azeite português em dezembro.“São
coisas que parecem insignificantes, mas para nós tem uma imensa
importância. Necessitamos que de alguma maneira o Estado Português possa
fazer com que esses produtos, nessas datas, nesses dias, por essas
alturas, tenham transporte gratuito, estejam isentos de impostos e até
possam ser subsidiados. Principalmente para que cheguem aos portugueses
mais necessitados e para que não se percam tradições, usos e costumes”,
disse.O secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas iniciou terça-feira uma visita de quatro dias à
Venezuela, onde expressou ao ministro venezuelano de Relações
Exteriores, Yván Gil, “uma grande preocupação” pela “existência de seis
presos políticos” luso-venezuelanos, sublinhando que Portugal “veria com
muito bons olhos” que fossem libertados.Durante
a visita, Emídio Sousa encontrou-se com familiares dos seis
luso-venezuelanos detidos, com a comunidade portuguesa e com a
representação diplomática portuguesa no país.A
agenda da visita incluiu ainda encontros com professores de língua
portuguesa, com funcionários da embaixada em Caracas, e com os
conselheiros das comunidades portuguesas, assim como uma visita ao Lar
da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira.Para
hoje está prevista uma visita ao lar de idosos Geriátrico
Luso-venezuelano de Maracay, à Casa Portuguesa do Estado Arágua e ao
consulado honorário em Maracay.Em Valência, Emídio Sousa é esperado na Casa Portuguesa Venezuelana de San Diego, seguindo-se uma visita ao consulado-geral.A
visita culmina na sexta-feira com uma deslocação à Sociedade de
Beneficência das Damas Portuguesas, que precede a ida ao Santuário de
Nossa Senhora de Fátima de Los Teques e ao consulado honorário de Los
Teques.Um almoço com a comunidade
portuguesa em Los Teques e um encontro com representantes da oposição
política venezuelana completam o programa da visita.