Luso-venezuelanos de La Guaira conseguiram falar com familiares
Venezuela/Sismo
Hoje 09:17
— Lusa/AO Online
“Não havia eletricidade, nem
sinal no telemóvel, estávamos praticamente isolados e por isso não foi
possível dizer aos nossos familiares que estávamos bem, o que já fizemos
há pouco”, explicou um luso-venezuelano à Lusa.Pedro
Abelardo Ferreira, 30 anos, explicou ainda que vive em Maiquetía, onde
há "uma rua que ficou irreconhecível” devido ao derrube de vários
prédios.Apesar de já ter conseguido
carregar a bateria do telemóvel e ter contactado os familiares, explicou
que está preocupado porque são constantes as réplicas dos sismos,
embora de intensidade reduzida.“A terra
está frequentemente a tremer, já sentimos muitas dezenas de réplicas,
que chegam acompanhadas de um forte ruído desde o centro da terra, o que
causa ansiedade e às vezes as pessoas gritam”, explicou.Abelardo
Ferreira disse ainda que as autoridades locais estão a disponibilizar,
num estádio, gratuitamente, uma ligação à Internet sem fios para quem
precisar contactar familiares.Incontactável
desde há quase 24 horas, o radialista português Diogo José Freitas,
responsável pelo programa de rádio “Portugal em Tropical” explicou à
Lusa que estava bem, acompanhado por familiares e que há zonas daquele
estado muito danificadas.“O apartamento
ficou destroçado, o edifício resistiu aos sismos mas o apartamento não.
Além das colunas, o edifício tem paredes de tijolos que caíram. Hoje
subi ao apartamento para tratar de salvar roupa principalmente, mas
quase não deu para tirar nada porque está cheio de escombros”, disse
Freitas.O radialista explicou ainda que as
localidades de Cátia La Mar, as avenidas do Exército e Atlântico, onde
ficava situada a estação de rádio Sonera 1450, onde trabalhou durante
anos, ficou tudo destruído. Também as zonas de El Caribe e Tanaguarenas,
Los Corales, também ficaram bastante danificadas.Vários
portugueses desabafaram que é praticamente nula a presença de equipas
de salvamento nalgumas zonas de La Guaira e que falta maquinaria na
corrida contra o tempo para salvar vidas.Entretanto,
residentes em La Guaira usaram as redes sociais para reclamar a falta
de militares no terreno para ajudar os sobreviventes e resgatar pessoas,
comparando com a rápida resposta para reprimir protestos.O
balanço mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanos dá conta
de que 235 pessoas faleceram e 4.300 ficaram feridas na sequência dos
sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na quarta-feira.Segundo o ministro da Saúde, Carlos Alvarado, o “maior número de feridos e mortos está no estado de La Guaira”.La
Guaira, antigo estado de Vargas, faz fronteira com a região
metropolitana de Caracas e alberga o Aeroporto Internacional Simón
Bolívar, em Maiquetía, o principal aeroporto do país, que foi
temporariamente encerrado devido aos danos causados pelos sismos.Segundo
Carlos Alvarado, devido ao grande número de doentes que necessitam de
cuidados hospitalares naquela região costeira, foram instalados
hospitais de campanha.Horas antes, a
presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, visitou La Guaira,
acompanhada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, e pelo
presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.Delcy
Rodríguez, que declarou o estado de calamidade pública em todo o país,
afirmou que esperam "resgatar o maior número possível de pessoas com
vida" dos edifícios que ruíram.Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.Pelo
menos seis portugueses e luso-descendentes morreram nos sismos de
quarta-feira na Venezuela, segundo o mais recente balanço, divulgado na
quinta-feira à noite, por fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.