Lula vai tentar convencer Macron sobre os benefícios do acordo UE-Mercosul
30 de mai. de 2025, 19:12
— Lusa/AO Online
No dia 05 de junho, dia em que inicia essa
visita de Estado, que antecede a sua participação na Cimeira dos Oceanos
da ONU, de 09 a 13 de junho, em Nice, Lula da Silva será recebido em
Paris por Emmanuel Macron, um dos Presidentes mais reticente ao acordo."Entendemos
que há um novo contexto internacional, um contexto geopolítico, um
contexto de guerra comercial que favorece o apoio do bloco europeu ao
acordo. Portanto, pretendemos explorar essa possível condição
favorável", afirmou em conferência de imprensa o diretor para a Europa
do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Flavio Goldman.O
diplomata brasileiro considerou que no Conselho Europeu “há um cenário
predominantemente favorável” e assinalou que alguns países que tinham
dúvidas, entre os quais a Áustria, “começaram a mover-se a favor” da
assinatura do pacto comercial, que está a ser discutido há cerca de 25
anos.O presidente do Conselho Europeu,
António Costa veio ao Brasil esta semana precisamente para abordar o
acordo entre os dois blocos com o chefe de Estado brasileiro, contudo
não se encontraram, nem falaram, durante os três dias da visita de
Costa, primeiro devido a problemas de saúde de Lula da Silva e depois
por incompatibilidade de agendas. António
Costa durante os três dias no Brasil teve apenas um encontro oficial com
o Governo brasileiro, com o ministro das Relações Exteriores , Mauro
Vieira, sendo que fonte do Ministério da Fazenda do Brasil disse à Lusa
que foi realizado um almoço na residência oficial da embaixada de
Portugal com o ministro da Fazenda brasileiro, Fernando Hadadd, na
quarta-feira.Em São Paulo, na
quinta-feira, no Fórum de Investimentos Brasil e União Europeia, dia em
que António Costa disse esperar que a assinatura do acordo entre a União
Europeia (UE) e o Mercosul ocorra até dezembro, não participou nenhum
dos ministros brasileiros.Ainda assim, um
responsável da União Europeia disse à Lusa que "Costa e Lula
encontrar-se-ão à margem da Conferência dos Oceanos da ONU em Nice". Em
França, para além do acordo comercial Lula da Silva vai ter de uma
agenda ampla com Macron, como o conflito entre a Rússia e Ucrânia e
também a intensa relação bilateral, que inclui questões
económicas, comerciais e defesa.Após os
compromissos em Paris, Lula da Silva e Macron deslocar-se-ão a Toulon,
onde visitarão uma base da Marinha francesa, que é parceira do Brasil
num programa de construção de submarinos.Em
seguida, participarão num fórum sobre economia e finanças, à margem da
Cimeira dos Oceanos, no Mónaco, no dia 08 de junho, e assistirão ao
primeiro dia do evento da ONU, em Nice.A
agenda inclui ainda visitas à sede da Interpol, cujo secretário-geral é,
desde o final do ano passado, o brasileiro Valdecy Urquiza, e visitas a
vários espaços dedicados ao evento “Paris no Sena”, organizado pela
Prefeitura de Paris e que tem a cultura brasileira como um dos focos.