Lula diz que Meta tem de deixar de enganar e "adequar-se a bons costumes"
Brasil/Eleições
Hoje 15:46
— Lusa/AO Online
"A Meta vai ter de se reinventar, porque não pode pensar que pode enganar a humanidade a toda a hora. Já enganou demais", afirmou o candidato à reeleição na quinta-feira, a três dias das eleições presidenciais.A gigante tecnológica, empresa-mãe do Facebook, Instagram e WhatsApp, "agora vai ter de se adaptar aos bons costumes e aos bons modos de que a sociedade precisa", acrescentou Lula da Silva.Durante uma transmissão em direto realizada em conjunto com André Janones, o chefe de Estado brasileiro alertou que não se pode tolerar a impunidade no ecossistema digital, nem a proliferação de desinformação."Não podemos aceitar que a mentira vença a verdade", enfatizou, esclarecendo que é necessário adotar "uma postura muito séria" para começar a discutir que "qualquer crime na internet seja tratado como" um crime "na vida real".André Janones é uma das figuras-chave na estratégia digital da campanha de Lula para a segunda volta e foi eleito deputado por Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16 milhões de eleitores.Janones é também o responsável pela coordenação do "Exército de Lula", um grupo no WhatsApp com mais de oito milhões de seguidores que tem funcionado como uma rede de mobilização digital para a segunda volta.Neste espaço, distribui tarefas aos seguidores, como a divulgação coordenada de conteúdos favoráveis ao Governo e o impulsionamento de tendências, para contrariar o algoritmo das plataformas digitais e fazer frente à presença da oposição.O grupo chegou a ser suspenso, embora tenha sido restabelecido posteriormente, depois de o candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro ter apresentado uma queixa por alegadas notícias falsas.Horas antes, o Ministério Público Federal (MPF) do Brasil pediu à Justiça que obrigue a Meta a restaurar, no prazo máximo de 24 horas, as contas, páginas e publicações suspensas ou restringidas sem justificação durante o período eleitoral. Após identificar mais de mil casos de moderação desproporcionada nas plataformas da empresa, a ação civil pública, apresentada à Justiça Federal de Porto Alegre, solicita que a empresa restabeleça os perfis e conteúdos afetados no Facebook e Instagram, assim como o seu alcance e funcionalidades, sob ameaça de uma multa diária de 500 mil reais (cerca de 88.200 euros) por cada conta afetada em caso de incumprimento. O MPF também pede que as decisões de moderação com as quais a Meta suspende contas que supostamente violam as normas não dependam exclusivamente de sistemas automatizados e que as reclamações sejam submetidas a uma revisão humana individualizada por equipas especializadas, capazes de avaliar o contexto das publicações.