Lula da Silva vai à China com agenda ambiciosa e delegação de 300 pessoas
10 de abr. de 2023, 09:50
— Lusa/AO Online
Nos encontros, o Presidente
brasileiro tratará de temas económicos e diplomáticos, expondo a
intenção do país sul-americano de retomar uma cooperação mais ampla com
países em desenvolvimento e expandir influência do Brasil no mundo, após
o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro que foi marcado pelo grande
isolamento internacional.Existe a projeção
por parte de diplomatas brasileiros de que serão assinados cerca de 20
acordos de cooperação entre Brasil e China em diferentes áreas, com
destaque para ciência e tecnologia, economia, comércio exterior,
cultura, indústria, defesa e educação.Segundo
declarações do secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações
Exteriores do Brasil, Eduardo Paes Saboia, cerca de dez dias antes da
viagem de Lula da Silva à China, estão a ser negociados muitos acordos
bilaterais, 20 já foram confirmados, “mas esse número pode aumentar.”Um
dos acordos da área económica que gera espetativa diz respeito a
ativação de um fundo de financiamento chinês de 20 mil milhões de
dólares (18,6 mil milhões de euros) para investimentos em projetos no
Brasil.O país sul-americano também espera
firmar parceira para desenvolver a sexta geração de satélite
sino-brasileiro e, por iniciativa do Governo Lula da Silva, há a
indicação de que pode acontecer uma declaração conjunta com a China
sobre clima e até mesmo criação de um fundo de financiamento binacional
para combater as mudanças climáticas.A
previsão é que Brasil e da China também discutirão temas de governança
global, assuntos de interesse dos BRICS (grupo formado por Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul), e a proposta brasileira sobre a
criação de um grupo de países não envolvidos na guerra provocada pela
invasão russa à Ucrânia para negociar a paz naquela região.Xi
Jinping acabou de retornar de uma visita de Estado a Moscovo, onde se
reuniu com o Presidente russo, Vladimir Putin, e apresentou as propostas
chinesas de paz na Ucrânia, facto que aumenta certeza de que a guerra
no leste da Europa será um tema sensível e importante no encontro do
líder chinês com o líder brasileiro. Na
visita, Lula da Silva deve participar de um grande evento de negócios
que reunirá pelo menos 240 empresários brasileiros, com forte presença
de pessoas ligadas ao agronegócio que acompanham a comitiva
governamental na viagem, além de empresários e representantes do Governo
chinês.A China é o principal destino das
exportações do agronegócio brasileiro e no ano passado absorveu 31,9%
das vendas do setor ao exterior, segundo dados do Ministério da
Agricultura do país sul-americano.Cerca de
40 políticos, entre ministros do Governo brasileiro e parlamentares
convidados devem participar das agendas na visita de Lula da Silva ao
país asiático. O programa oficial
anunciado pelo Governo brasileiro também prevê uma visita a Xangai,
capital económica da China, onde a ex-vice-presidente Dilma Rousseff,
que governou o Brasil de 2011 a 2016, assumirá a gestão do Novo Banco de
Desenvolvimento (NBD) dos BRICS.Ao final
da viagem, Lula da Silva terá, em apenas três meses de mandato, tido
reuniões com os mais importantes parceiros comerciais do Brasil. Em
janeiro, o governante foi à Argentina, em fevereiro esteve nos Estados
Unidos, segundo maior parceiro do Brasil e que fica atrás apenas da
China nas trocas comerciais, numa viagem que também contou com um
encontrou dele com o Presidente norte-americano, Joe Biden. A
China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil e uma das
principais origens de investimentos em território brasileiro. Em 2022, a
corrente de comércio entre os dois países atingiu recorde de 150,5 mil
milhões de dólares (139,4 mil milhões de euros).