Lula da Silva preocupado com cerco à embaixada argentina em Caracas
9 de set. de 2024, 14:14
— Lusa/AO Online
Fontes
diplomáticas brasileiras disseram à agência de notícias EFE que Luiz
Inácio Lula da Silva reuniu-se no domingo com a secretária-geral do
Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Laura da Rocha, num encontro
em que participou, de forma remota, o ministro Mauro Vieira, que se
encontra em visita oficial a Omã.Lula da
Silva reiterou a posição do Brasil de que “permanecerá com a custódia e
defesa dos interesses argentinos até que a Argentina designe outro
Estado”.No sábado, o Governo da Venezuela
disse que ter provas de que a Embaixada da Argentina em Caracas estará a
ser usada "para o planeamento de atividades terroristas e tentativas de
homicídio” contra o Presidente, Nicolás Maduro, e a vice-Presidente,
Delcy Rodríguez.Na sexta-feira à noite,
alguns dos seis requerentes de asilo da oposição refugiados desde março
na residência da Embaixada da Argentina na capital venezuelana afirmaram
que polícias encapuzados e armados cercaram o edifício.Os opositores foram acusados pela Procuradoria-Geral da República venezuelana de vários crimes, incluindo conspiração e traição.No
sábado, o Governo brasileiro declarou-se surpreendido pela decisão das
autoridades venezuelanas e salientou que a missão diplomática argentina
deve ser inviolável, em cumprimento das convenções internacionais."O
Brasil salienta a inviolabilidade, nos termos da Convenção de Viena,
das instalações da missão diplomática argentina, que atualmente acolhe
seis exilados venezuelanos, assim como bens e arquivos", disse o
Ministério dos Negócios Estrangeiros brasileiro.O
Brasil tem, desde agosto, a guarda das sedes diplomáticas da Argentina e
do Peru na Venezuela, além da representação dos cidadãos e dos
interesses dos dois países, na sequência da expulsão dos membros de
ambas as delegações por não aceitarem a vitória de Maduro nas eleições
presidenciais de 28 de julho.A decisão de
Maduro vem aumentar a tensão com Luiz Inácio Lula da Silva, que tem
repetidamente defendido que o Presidente venezuelano deve publicar os
resultados eleitorais que lhe deram a vitória contra o opositor Edmundo
González Urrutia, apoiado por uma parte da comunidade internacional.González Urrutia chegou no domingo em Espanha, onde vai pedir asilo político.