Lula da Silva considera "extremamente grave" Meta acabar com verificação de factos
9 de jan. de 2025, 17:20
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas no Palácio do Planalto, Lula da Silva disse
que fará uma reunião com sua equipa para discutir as mudanças anunciadas
pela multinacional Meta, dona das plataformas Facebook, Instagram e
WhatsApp.“Acho que é extremamente grave
quererem que a comunicação digital não tenha a mesma responsabilidade de
quem comete um crime na imprensa escrita. É como se um cidadão pudesse
ser punido porque ele faz uma coisa na vida real e não pudesse ser
punido quando ele faz a mesma coisa na [plataforma] digital”, declarou o
Presidente brasileiro.“O que nós
queremos, na verdade, é que cada país tenha a sua soberania resguardada.
Não pode um cidadão, não pode dois cidadãos, não pode três cidadãos
acharem que podem ferir a soberania de uma nação," completou.A
Meta, empresa criada e dirigida por Mark Zuckerberg, anunciou na
terça-feira que ia acabar com o programa de verificação de factos nos
Estados Unidos para o substituir por um sistema de notas de contexto.O
anúncio da Meta foi feito depois de os republicanos, bem como o
proprietário da rede social X, Elon Musk, se terem queixado destes
programas de verificação de factos, afirmando que eles se equiparam à
censura.Na quarta-feira, o juiz do Supremo
Tribunal Federal (STF) do Brasil Alexandre de Moraes, responsável pela
suspensão da plataforma X (antigo Twitter) por 40 dias em 2024 porque a
empresa se recusou a cumprir decisões judiciais e a apontar um
representante legal no país sul-americano, também afirmou que a Justiça
local já decidiu que as redes sociais “não são terra sem lei”."No
Brasil, [as redes sociais] só continuarão a operar se respeitarem a
legislação brasileira. Independentemente de bravatas de dirigentes
irresponsáveis das big techs", afirmou Moraes."Pelo
mundo não podemos falar mas, no Brasil, eu tenho absoluta certeza e
convicção que o Supremo Tribunal Federal não vai permitir que as (...)
as redes sociais continuem sendo instrumentalizadas dolosa ou
culposamente ou, ainda, somente visando o lucro, para discursos de ódio,
nazismo, fascismos, racismo, misoginia, homofobia e discursos
antidemocráticos", acrescentou.A
Advocacia-Geral da União (AGU) do Brasil, que representa o Governo
central em processos judiciais, também sublinhou em comunicado que o
país não é “terra sem lei” e apontou que irá agir contra as mudanças na
política de moderação de conteúdo da Meta se elas afetarem à democracia
ou violem as leis brasileiras.