Lula critica “negacionismo e o unilateralismo” que sabotam futuro ambiental
7 de jul. de 2025, 14:58
— Lusa/AO Online
“O negacionismo e o unilateralismo estão corroendo avanços do passado e
sabotando nosso futuro”, disse Lula da Silva, perante representantes de
cerca de 30 países e de uma dezena de organizações internacionais, que
se encontram na cidade brasileira do Rio de Janeiro para participar no
último dia da XVII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do grupo de
países com economias emergentes.No seu
discurso na sessão plenária “Meio Ambiente, COP30 e Saúde Global”, o
chefe de Estado brasileiro frisou que “o aquecimento global ocorre em
ritmo mais acelerado do que o previsto e que “as florestas tropicais
estão sendo empurradas para seu ponto de não retorno”.“Uma
década após o Acordo de Paris, faltam recursos para a transição justa e
planejada, essencial para a construção de um novo ciclo de
prosperidade”, denunciou, criticando ainda o facto de serem os países em
desenvolvimento que “serão os mais impactados por perdas e danos”.Estes
países “são também os que menos dispõem de meios para arcar com
mitigação e adaptação”, disse o Presidente do Brasil, país que acolhe a
Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30) que vai decorrer em
novembro na cidade amazónica de Belém.O
Brasil, que alberga no seu território a maior floresta tropical do mundo
(Amazónia) procura nesta cimeira dos BRICS estabelecer uma posição
comum dos onze membros permanentes do grupo com vista à cimeira mundial
sobre o clima (COP30), que se realizará na cidade brasileira de Belém em
novembro.No entanto, chegar a um consenso
ambicioso prevê-se difícil, uma vez que o grupo conta entre os seus
membros grandes produtores de hidrocarbonetos, como a Arábia Saudita, a
Rússia, o Irão e os Emirados Árabes Unidos, e ainda a China, um dos
países mais poluentes do planeta.Arrancou
assim a última sessão plenária desta cimeira que vai abordar questões
relacionadas com o ambiente e, em particular, o financiamento climático
exigido pelos países em desenvolvimento, sobretudo os que têm florestas
tropicais, como o Brasil e a Indonésia.A
reunião analisará ainda uma proposta brasileira de criação de uma
aliança para a erradicação de doenças negligenciadas, como a malária e a
tuberculose, enfermidades influenciadas por fatores sociais, económicos
e ambientais, e que afetam as populações mais vulneráveis.Lula
da Silva recebeu, no domingo e hoje, no Rio de Janeiro líderes dos
BRICS para a cimeira anual do grupo, marcada pela ausência de
presidentes como o russo, Vladimir Putin, e o chinês, Xi Jinping, numa
cimeira que conta com cerca de 30 países representados e uma dezena de
organizações internacionais.Putin
participou por videoconferência, após recusar o convite de Lula da Silva
por estar sob mandado de captura emitido pelo Tribunal Penal
Internacional por alegados crimes cometidos durante a guerra na Ucrânia,
e é representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey
Lavrov.Mais surpreendente é a ausência de
Xi Jinping, da China, que tem sido um participante constante em cimeiras
anteriores, e é substituído pelo primeiro-ministro Li Qiang.A
cimeira centra-se em quatro temas principais: a reforma das
organizações que regem a ordem internacional, a promoção do
multilateralismo, a luta contra a fome e a pobreza e a promoção do
desenvolvimento sustentável, num bloco que representa mais de 40% da
população global e mais de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.O
grupo BRICS foi inicialmente formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul e, desde o ano passado, conta com seis novos membros
efetivos: Egito, Irão, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Arábia Saudita e
Indonésia.A estes juntam-se, como membros
associados, a Bielorrússia, a Bolívia, o Cazaquistão, Cuba, a Malásia, a
Nigéria, a Tailândia, o Uganda, o Uzbequistão e o Vietname.