Luís Rodrigues defende auditoria do TdC às contas da SATA de 2020 a 2022

23 de mai. de 2023, 06:27 — Lusa/AO Online

“Acho que deveria ter sido feito uma auditoria do Tribunal de Contas às contas de 2020 a 2022. Não sendo, a coisa pode ficar num plano mais vago. Mas o parlamento é soberano. Acho muito bem. Estamos cá para lidar com isso”, afirmou, a propósito da comissão de inquérito da Assembleia dos Açores ao grupo SATA.O agora presidente executivo da TAP falava aos jornalistas em Ponta Delgada após uma aula aberta no âmbito do mestrado em Gestão de Empresas (MBA), da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores.A 12 maio, o parlamento açoriano aprovou por unanimidade uma comissão de inquérito para averiguar a gestão da SATA entre 2013 e 2019 e “avaliar o exercício da tutela política” e o “desempenho dos órgãos sociais” durante a atual legislatura.Um dos motivos apresentados para a constituição da comissão foi uma auditoria do TdC ao grupo SATA, divulgada em 26 de abril, que identifica a companhia aérea Azores Airlines como responsável “por cerca de 90% dos prejuízos acumulados entre 2013 e 2019”, no valor de 260 milhões de euros. Luís Rodrigues mostrou-se “disponível para ouvir tudo o que for apontando” pelos deputados, independentemente de ser a “favor ou não” da sua administração.“Acho muito bem que faça tudo o que se tem de fazer. Estou completamente disponível para colaborar. Não tenho nenhum problema com isso”, reforçou.Durante a aula aberta, subordinada ao tema “Estratégia aplicada: da teoria à prática", Luís Rodrigues assumiu que viveu “três anos espetaculares” nos Açores enquanto líder da SATA.Instado por uma pergunta da audiência, o gestor considerou que os Açores estão a “viver uma tensão social interessante”, com metade da população a rejeitar o aumento do turismo e outra metade a defender o crescimento do setor.“Parece-me que estamos num caminho de não retorno. Os Açores hoje têm cada vez mais notoriedade fora daqui. (…) O desafio é conseguir gerir isso”, declarou.A proposta original para a criação de uma comissão de inquérito à TAP não abrangia a atual legislatura, mas a iniciativa foi alvo de uma substituição integral que passou a incluir, entre os objetos da comissão de inquérito, a avaliação do “exercício da tutela política da SATA e o desempenho dos órgãos sociais da empresa do grupo no período compreendido entre 2020 e 2022”.A comissão de inquérito pretende apurar as causas do "significativo agravamento do desequilíbrio económico" da SATA, analisar as funções do acionista por parte do Governo Regional, “analisar o funcionamento dos órgãos sociais" e "verificar o cumprimento dos princípios da legalidade e transparência" no grupo de 2013 a 2019.Os deputados vão ainda “avaliar o processo de renovação da frota” da Azores Airlines (responsável pelas ligações de e para fora do arquipélago dos Açores), “nomeadamente a opção inicial de substituir os quatro Airbus A310 por dois Airbus A330-210”.