Luís Miguel Rego mira a vitória na Volta à Ilha de São Miguel
59.º Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye
Hoje 11:08
— Arthur Melo
O pentacampeão dos Açores de ralis, Luís Miguel Rego, é apontado como o
principal favorito à vitória na 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by
Azores Rallye, prova organizada pelo Grupo Desportivo Comercial (GDC)
que se disputa este fim de semana.O piloto micaelense não nega o
favoritismo que recai sobre si nem foge a essa responsabilidade, mas
prefere sublinhar o mérito dos adversários que enfrentar na sétima prova
do Campeonato dos Açores de Ralis, quarta do Troféu de Ralis de Terra
dos Açores e Taça dos Açores de Ralis. “Se sou ou não sou o
favorito, isso é algo que terão de dizer os restantes pilotos”, começa
por dizer Luís Miguel Rego, acrescentando que “pelo histórico, pela
experiência, pelos cinco títulos” regionais que soma, “é expectável que
as pessoas assim o pensem”, declarou o piloto, em entrevista ao Açoriano
Oriental. Rego destaca ainda a competitividade de outros pilotos
que vão marcar presença na prova do GDC, como Henrique Moniz, que apesar
de ter começado recentemente a competir com uma viatura Rally2, já
disputa o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) - uma experiência que,
na sua opinião, faz “puxar o ritmo para cima”, ao contrário do que
sucede no campeonato regional, onde este ano Luís Miguel Rego correu
praticamente sozinho na sua categoria.Com o título açoriano de 2026
já garantido, o piloto de 35 anos assume que chega à 59.ª Volta à Ilha
de São Miguel by Azores Rallye “descomprometido com lutas pelo
campeonato”, o que lhe permite “encarar a prova de forma descontraída” e
lutar apenas pela vitória. E é uma vitória que faz questão de
sublinhar o significado emocional que tem para si: “É uma prova
especial, um rali que me faz lembrar quando via o meu pai correr. Era
uma daquelas provas que sempre idealizei um dia poder vencer e ficar na
história da Volta à Ilha”, confessou.Sobre o atual itinerário - uma
versão mais curta da antiga edição europeia da prova, Rego considera que
a organização soube preservar a identidade do Azores Rallye na Volta à
Ilha.“Pegaram nas partes mais bonitas dos troços, as mais rápidas e
fluidas, e fizeram um rali mais curto, mas sem perder a identidade”,
referindo neste particular as classificativas de Sete Cidades,
Tronqueira e Graminhais. Ainda assim, o piloto alerta que o formato mais curto da prova exige uma dose maior de concentração.“É
um rali sprint. Um furo, um erro, e já não há tantos quilómetros para
recuperar. Temos de ser rápidos, mas sempre com muita cautela”, referiu
Luís Miguel Rego.Recorde-se que a 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by
Azores Rallye conta com 102,94 quilómetros de troços corridos contra o
relógio, distribuídos por 10 provas de especiais de classificação que
serão percorridas nos dias 4 (sexta-feira) e 5 (sábado) de setembro. Falta de apoio do Governo preocupa Luís Miguel RegoLuís
Miguel Rego deixou um alerta sobre a falta de investimento público no
automobilismo açoriano, numa altura em que a 59.ª Volta à Ilha de São
Miguel by Azores Rallye é candidata a integrar o calendário do CPR em
2027. Para o piloto micaelense, o erro está em olhar para o evento apenas pela vertente desportiva.“Quem
menos ganha com este evento são os pilotos. Quem mais ganha é o
comércio, são os empresários”, afirma, lembrando que a prova atrai
equipas que alugam viaturas, comem, dormem e consomem na ilha, gerando
retorno direto em impostos e receita para o comércio local, além do
impacto publicitário para a promoção turística da região.Luís Miguel
Rego sublinha também que este tipo de evento ganha ainda mais
relevância numa época em que se regista uma acentuada quebra na procura
turística e num período em que os Açores entram na chamada época baixa. “Estamos
a falar de um investimento com retorno a curto prazo, não a longo
prazo”, defende, apelando a que tanto o GDC como o próprio comércio e
empresários locais - afinal de contas, os maiores beneficiados com a
realização de um evento desta natureza - façam chegar ao Governo
Regional essa mensagem. “Não é apenas um evento desportivo, é muito
mais do que isso”, remata Luís Miguel Rego, deixando o piloto micaelense
o repto para que as entidades públicas olhem para o desporto automóvel,
em geral, e esta prova em particular, como uma verdadeira alavanca
económica para a região.