Luís Carlos Brum eleito para novo mandato no Sindicato Livre dos Pescadores dos Açores
9 de abr. de 2019, 14:52
— Lusa/AO Online
“O maior problema da pesca é
a escassez dos recursos marinhos. Dar futuro à pesca será a nossa luta,
já que há uma assimetria muito grande entre a lavoura e a pesca na
região”, disse Luís Carlos Brum, em declarações à agência Lusa.O
sindicalista já dirige desde há seis anos o Sindicato Livre dos
Pescadores, Marítimos e Profissionais Afins dos Açores, com sede em Rabo
de Peixe, concelho da Ribeira Grande, ilha de São Miguel.Nas eleições, que se realizaram na sexta-feira, a lista única obteve 175 votos, zero nulos e zero brancos."Foi
renovada a confiança e a capacidade de reivindicação nesta lista, que
concorreu sozinha, contudo, englobando muitas sensibilidades para
permitir um trabalho de luta e empenhamento em prol dos pescadores",
sublinhou.Luís Carlos Brum referiu que "a problemática das pescas é inquestionavelmente a escassez de recursos piscícolas". "Após
um investimento brutal na frota pesqueira, o Governo dos Açores resolve
abater embarcações, sem pagar devidamente as mesmas e desta maneira
aniquilando o setor. Daí o aparecimento de mais reservas naturais para a
recuperação de stocks", apontou.O dirigente sindical salientou, no entanto, que aquela medida "tem sido
exagerada, pois tem-se retirado muito espaço de zonas autorizadas para
pesca em benefício da interdição".É
preciso, no seu entender, "dar mais espaço aos pescadores para pescar,
criando um maior equilíbrio entre zonas proibidas e autorizadas".Para
o novo mandato, a única lista concorrente compromete-se a "colaborar
com a administração regional no incremento de mais formação para os
homens do mar, educando-os numa faina mais responsável, de respeito
pelos juvenis".Luís Carlos Brum referiu à
Lusa que "a maior parte dos pescadores são jovens", acrescentando que em
são Miguel, maior ilha dos Açores, "existem entre 2.000 e 3.000
pescadores que vivem com muitas dificuldades"."Regularizar
as relações de trabalho com contratos individuais de trabalho para as
embarcações costeiras de médio e grande porte, reservando e excluindo a
pesca local, a qual não possui condições económicas para esta
contratação", é outra das linhas do programa de ação.Para
Luís Carlos Brum, defender a Zona Económica Exclusiva, como forma de
proteção dos recursos marinhos, é ter “mais soberania fiscalizando a
mesma".O dirigente sindical lamentou que
"não tenha sido atribuído em fevereiro" o FundoPesca (uma compensação
salarial aos pescadores açorianos quando, em determinadas situações
previstas na lei, estejam condicionados no exercício da sua atividade),
alegando que "foi um mês de muito mau tempo".