Lufthansa congratula-se com decisão do Governo e fala em trajetória de sucesso
Hoje 16:13
— Lusa/AO Online
O Governo selecionou a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.“O grupo Lufthansa congratula-se com a decisão do Governo português de selecionar a sua proposta no processo de privatização da TAP Air Portugal”, afirmou, em comunicado. Citado na mesma nota, o ‘chairman’ do Conselho de Administração e presidente executivo da Deutsche Lufthansa AG, Carsten Spohr, disse que esta decisão abre caminho para que a TAP continue “uma trajetória de sucesso”, agora junto do grupo Lufthansa. A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.A Lufthansa precisou que a sua oferta foi de 1.025 milhões de euros por uma participação de 44,9%, valor que pode ascender a 1.200 milhões de euros por 49,9% da transportadora portuguesa, incluindo a parcela de 5% reservada aos trabalhadores e os ajustamentos financeiros previstos.A empresa disse que, com esta decisão, quer apoiar o crescimento da TAP, preservando a sua identidade, e reforçar a conectividade de Portugal, em particular com a América do Norte e a América Latina. Carsten Spohr acrescentou que a Lufthansa vai, por sua vez, prosseguir a sua estratégia de internacionalização e reforçar a sua posição no mercado do Atlântico Sul.O grupo adiantou ainda que está a trabalhar com o Governo e com a Parpública para finalizar os documentos da transação e espera assinar os acordos “em breve”.A Lufthansa está em Portugal há mais de 70 anos e as companhias aéreas deste grupo têm, atualmente, 353 voos semanais para seis destinos em Portugal. Mais de 500 pessoas trabalham para as companhias do grupo em Portugal. A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes ('ticketing fee'), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.Já a Air France-KLM ofereceu 850 milhões de euros pelos 44,9% do capital, a que acrescem 86 milhões de euros em ajustamentos da mesma natureza e 102 milhões relativos à parcela reservada aos trabalhadores, totalizando 1.038 milhões de euros.A proposta do grupo franco-neerlandês previa ainda um pagamento adicional de 100 milhões de euros, condicionado ao cumprimento de metas financeiras pela TAP em 2028, nomeadamente um resultado operacional (EBITDA) de pelo menos 1.036 milhões de euros e uma dívida financeira líquida não superior a 2.900 milhões.A avaliação teve também em conta as propostas apresentadas pelos dois concorrentes para uma eventual segunda fase da privatização, condição pedida no caderno de encargos, que permitiria ao investidor selecionado adquirir a maioria do capital da companhia.Nesse cenário, a Lufthansa apresentou uma proposta adicional de 1.351 milhões de euros pela aquisição dos restantes 50,1% da TAP, dos quais 863 milhões de euros seriam pagos em dinheiro e 488 milhões através de uma troca de ações.Esta operação permitiria ao Estado português tornar-se o segundo maior acionista do grupo resultante da combinação da Lufthansa com a TAP, mantendo uma participação indireta na transportadora portuguesa.Considerando as duas fases, a proposta implica uma valorização direta da TAP de 2.552 milhões de euros, superior às avaliações independentes apresentadas ao Governo.