Lufthansa assinala momento especial e diz que decisão do Governo é “excelente sinal”

TAP

Hoje 16:39 — Lusa/AO Online

“É um momento muito especial para nós. A decisão do Governo português ao selecionar a Lufthansa foi um excelente sinal […] para a TAP, para Portugal e para a Lufthansa”, afirmou o presidente executivo do grupo Lufthansa, Carsten Spohr, na assinatura do contrato de venda parcial da TAP, em Lisboa.Spohr referiu que a entrada no capital da TAP constitui uma oportunidade de acesso a novos mercados, como África e América do Sul, em particular o Brasil. Mercados que, para a Lufthansa, têm um “grande potencial”. O presidente executivo do grupo Lufthansa assegurou ainda querer desenvolver a empresa portuguesa, mantendo a tradição e o que a distingue. Carsten Spohr acrescentou que este negócio resulta também das boas relações entre Portugal e a Alemanha, em particular entre as duas empresas. “Obrigado pela vossa confiança, não vos vamos desiludir”, rematou. A Lufthansa prevê sinergias líquidas anuais de até 450 milhões de euros com a TAP e acordou com o Estado um mecanismo para elevar a distribuição de dividendos até 75%, anunciou o grupo alemão em 15 de outubro.Numa conferência telefónica com analistas e investidores, o diretor financeiro da Lufthansa, Till Streichert, explicou que a maior parte das sinergias deverá ser gerada na TAP, tendo sido acordado também com o Governo português um mecanismo de aumento progressivo da distribuição de dividendos, que poderá atingir 75%.Segundo o responsável, este mecanismo permitirá à Lufthansa beneficiar dos ganhos gerados na transportadora portuguesa enquanto detiver uma participação minoritária, não sendo necessário adquirir a maioria do capital para concretizar as sinergias previstas.O Governo selecionou, a 14 de outubro, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.A decisão foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes ('ticketing fee'), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.Esta segunda-feira, o secretário de Estado das Infraestruturas assegurou no parlamento que a Lufthansa irá arcar diretamente com eventuais remédios regulatórios que a Comissão Europeia imponha por razões de concorrência para autorizar a entrada no capital da companhia portuguesa.Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.