Loteamento e abastecimento de água a bairro ilegal concluídos no final de 2020
20 de set. de 2019, 08:30
— Lusa/AO Online
“É uma obra muito grande, muito exigente, mas
que não deixa de ser também e, à medida de cada um dos momentos, uma
obra fundamental”, adiantou o presidente do município da Praia da
Vitória, Tibério Dinis (PS), no lançamento da primeira pedra da obra,
numa cerimónia, seguida de churrasco, a que assistiram muitos dos
moradores. Em causa está um bairro
construído na década de 1950, em terrenos alugados, para acolher
militares norte-americanos colocados na base das Lajes, na Praia da
Vitória, numa altura em que o parque habitacional da ilha Terceira tinha
uma capacidade limitada. Na década de
1990, as casas foram vendidas a portugueses, mas os terrenos nunca
chegaram a ser comprados e o diferendo entre moradores e proprietários
arrastou-se durante anos nos tribunais.Desde
2003, que a maioria dos moradores (cerca de 100 famílias) deixou de
pagar rendas, segundo dizem, por recomendação da câmara municipal, o que
motivou vários despejos, um em 2015 e outros 13 em 2018.Em
setembro do ano passado, a Câmara Municipal da Praia da Vitória chegou a
acordo com os proprietários para adquirir os terrenos por quatro
milhões de euros, em quatro anos, vendendo-os posteriormente aos
moradores, e as 13 famílias despejadas regressaram às habitações.O
abastecimento de água ao bairro continua a ser assegurado pela rede da
Força Aérea norte-americana na base das Lajes, que anunciou a intenção
de deixar de abastecer aquelas habitações. Em
março de 2018, o Ministério da Defesa assinou um protocolo com a Câmara
Municipal da Praia da Vitória, em que garantia que a Força Aérea
norte-americana manteria o abastecimento de água por mais dois anos,
comprometendo-se ainda a financiar 15% do custo da obra de construção da
nova rede de abastecimento de água, sendo os restantes 85% financiados
por fundos comunitários. Para além da
construção de uma nova rede de abastecimento de água e de saneamento
básico, a obra prevê o arranjo das vias, bem como a criação de espaços
verdes e de estacionamento. “Hoje não é
ainda o caminho de chegada, o caminho de chegada é quando nós
efetivarmos a última escritura devidamente legalizada”, frisou Tibério
Dinis.O município aprovou esta semana, em
reunião camarária, um regulamento para a venda dos lotes aos moradores,
por 24 euros por metro quadrado, que prevê planos de pagamento por
períodos até 10 anos para as famílias mais carenciadas que não consigam
recorrer à banca. “Este é um processo
longo, com muitos anos, com várias etapas, com muitos intervenientes,
que teve momentos maus, teve momentos bons, teve momentos terríveis, que
tem também uma componente humana muito grande, que se arrastou nos
tribunais de uma forma degradante, até, do ponto de vista de como a
justiça olha para esses assuntos”, frisou o autarca.Tibério
Dinis sublinhou, no entanto, o papel do seu antecessor, o socialista
Roberto Monteiro, alegando que foi ele que iniciou o processo de
legalização do bairro.Se todas as famílias
adquirirem as habitações, o município deverá receber 1,1 milhões de
euros, contando com o apoio do Governo da República para fazer face à
restante despesa com a aquisição.O
Orçamento do Estado para 2019 prevê “auxílios no âmbito da legalização
do bairro americano de Santa Rita”, sem referir montantes, autorizando o
Ministério do Ambiente a “aplicar verbas no cumprimento dos
compromissos emergentes da legalização do denominado bairro americano de
Santa Rita”, mas até ao momento não foram transferidas quaisquer verbas
para o município. Também presente na
cerimónia de lançamento da primeira pedra, a secretária regional da
Solidariedade Social dos Açores, Andreia Cardoso, disse que o executivo
açoriano (PS) vai continuar “atento, diligente e cooperante com a câmara
municipal neste processo”.“Muitas vezes
participar implica financiar, podemos chegar a esse assunto, mas mais do
que financiar às vezes é agilizar, é facilitar, é garantir, é
assegurar, como é o caso desta obra que aqui se inicia. A
disponibilização de fundos comunitários para a concretização desta
empreitada é fundamental para a qualidade de vida das pessoas que aqui
vivem”, afirmou.