Lançado livro com as cartas entre Lopes-Graça e Eugénio de Andrade
1 de mar. de 2018, 10:05
— Lusa/AO online
A
obra, que reúne a correspondência entre o compositor Fernando
Lopes-Graça e o poeta Eugénio de Andrade, “que marcaram indelevelmente a
cultura portuguesa do século XX”, numa edição e transcrição do
musicólogo Tiago Manuel da Hora, é apresentada hoje às 18:30, na FNAC do
Chiado, em Lisboa.Tiago
Manuel da Hora afirma, no prefácio, que da troca de cartas entre estas
duas personalidades “resulta um legado que funde a música e a poesia
numa obra de referência”.Na
opinião do investigador da Universidade Nova de Lisboa (UNL), “este
diálogo ‘postal’, em constante toada de pergunta e resposta, acarreta em
si mesmo muito mais do que a partilha de ideias e a cumplicidade
artística entre os dois vultos”.Da
colaboração entre Fernando Lopes-Graça (1906-1994) e Eugénio de Andrade
(1923-2005) resultaram três ciclos de canções: “As Mãos e os Frutos”,
“Mar de Setembro” e “Aquela Nuvem e Outras”, além da canção “Nana”.O
ponto central que estimulou esta “cumplicidade entre compositor e poeta
reside no facto de [se estar] perante um músico conhecedor e divulgador
na produção poética e literária do seu tempo, e um poeta para o qual a
música e o som são uma presença essencial e condição inerente à vivência
e fruição do texto poético”.A primeira carta data de abril de 1956 e nela Lopes-Graça dá conta ao poeta que não “atinou” no tom conveniente.“Tenho
vergonha de lhe confessar que o gostoso projeto de musicar algumas das
suas lindas poesias de ‘As Mãos e os Frutos’ se gorou”, escreve
Lopes-Graça, referindo em seguida: “Nada de jeito me saiu da cansada
inspiração”.“Não
atinei com o tom conveniente para os seus versos ou então, o que me
parece mais certo, estou liquidado como compositor”, alvitra
Lopes-Graça, que se despede do poeta com “um abraço amigo”.A
composição deste ciclo foi terminada em janeiro de 1959 e foi
apresentado ao público em dezembro desse ano, interpretado por Fernando
Serafim, a quem Lopes-Graça o dedicou, tendo a edição discográfica saído
no ano seguinte. Ao
ciclo “As Mãos e os Frutos” sucedeu “Mar de Setembro” (1962), que o
musicólogo aponta como “uma obra de menor profundidade dramática, se
comparada” com o anterior, considerando, todavia, Lopes-Graça, numa das
cartas, que a “mão já estava um pouco feita” para os versos de Eugénio.“Mar
de Setembro”, "onde impera um caráter mais celebrativo e efusivo",
escreve Tiago da Hora, foi apresentado em estreia em fevereiro de 1963
na então Emissora Nacional, com interpretação de Fernando Serafim,
acompanhado ao piano pelo próprio Lopes-Graça, que voltaria a este
ciclo, incluíndo mais três canções. A sua edição discográfica,
amplamente revista pelo compositor, saiu em 1975.Esta
obra será apresentada no Porto, na Biblioteca Pública Municipal, no
próximo dia 10, às 17:00, por Henrique Manuel Pereira, doutorado em
Cultura e investigador do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e
Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do Centro de
Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes, e do Grupo de Estudos
Literários e Culturais da Universidade de Aveiro.No
dia 17, às 17:00, o livro “Fernando Lopes-Graça e Eugénio de Andrade. O
diálogo entre a música e a poesia [Correspondência]” é apresentado em
Cascais, nos arredores de Lisboa, na Fundação D. Luís, pelo musicólogo
Mário Vieira de Carvalho, seguido da atuação do tenor João Rodrigues,
acompanhado pelo pianista Nuno Vieira de Almeida.