Livro Branco das Farmácias apresenta proposta para melhorar sistema de saúde
20 de nov. de 2023, 12:59
— Lusa/AO Online
Lançado na Conferência
“As Farmácias na Jornada da Saúde das pessoas”, sessão promovida pela
Associação Nacional das Farmácias (ANF), que está a decorrer na
Assembleia da República, o livro branco reflete “a relação da farmácia e
dos seus profissionais de saúde com as pessoas e materializa a sua
intervenção na sociedade”. Na apresentação
do documento, com 154 páginas, a presidente da ANF, Ema Paulino,
afirmou que “este Livro Branco não partiu de uma folha em branco”.Ema
Paulino sublinhou que o desenvolvimento farmacêutico ao longo de
décadas, onde as farmácias se foram adaptando às necessidades da
população e da sociedade, numa missão de “otimizar a efetividade das
terapêuticas e contribuir para melhor qualidade de vida das populações”.A
presidente da ANF destacou as propostas presentes no documento em que
as farmácias podem apoiar o sistema de Saúde, como a prevenção e
rastreio de hepatites virais, VIH e outras infeções, a integração nos
rastreios nacionais, a referenciação para outros níveis de cuidados e
uma intervenção ativa na saúde mental e prescrição social, sinalizando e
encaminhando pessoas para as instituições adequadas, se necessário.Realçou
ainda o conceito de “farmacêutico de família”, uma medida que considera
ter “um enorme potencial”, numa perspetiva de haver esta figura com
quem o médico de família e o enfermeiro de família podem interagir e
dessa forma potenciar, enquanto equipa multidisciplinar de saúde, os
cuidados que são prestados à população.
Presente na conferência, o diretor executivo do SNS, Fernando Araújo,
afirmou que o Livro Branco está “muito bem estruturado e abre um
conjunto de dimensões que podem e devem ser exploradas”.
“Importa agora que este livro branco não fique numa prateleira
qualquer de uma biblioteca ou numa ‘cloud’ [nuvem] algures no sistema”,
comentou, considerando que o documento contém “propostas inovadoras e
medidas que são motivo de reflexão há alguns anos, mas por várias
razões, nunca foram implementadas”. Para
Fernando Araújo, este “é o tempo de fazer acontecer”: “Temos uma janela
de oportunidade. Eu diria que politicamente a situação é mais complexa,
mas não é isso que nos deve demover de tecnicamente atingirmos
resultados, defendendo os cuidados de saúde aos portugueses”.
Para isso, defendeu, “é necessário algo, como o que foi feito na
construção deste Livro Branco, que é uma parceria e um envolvimento de
todos os agentes do sistema de saúde”, para permitir acesso e equidade
aos cuidados de saúde, “olhando sempre numa perspetiva de futuro”.
Fernando Araújo realçou o papel das mais de 3.000 farmácias e postos
farmacêuticos em todo o país, com mais de 10 mil farmacêuticos
“altamente qualificados, em quem os portugueses confiam e por isso é
tempo de os integrar uma política ativa de saúde pública”.Segundo
a ANF, o Livro Branco das Farmácias Portuguesas é “uma ferramenta
orientadora do desenvolvimento das farmácias na próxima década, que tem
como objetivo ser uma peça essencial para projetar o futuro do setor e
da sua ação no contexto da Saúde”.O livro
materializa a ambição das farmácias em continuar a transformar os
cuidados de saúde e propõe áreas prioritárias de atuação numa jornada
tridimensional para a farmácia: “Transformação da jornada da saúde das
pessoas”, “Capacitação profissional e tecnológica catalisadora da
mudança” e “Conhecimento e regulação ao serviço da sociedade”.