Livro apresenta a ciência dos vulcões aos mais novos

Hoje 10:37 — Ana Carvalho Melo

O livro “Vulcanologia para jovens exploradores”, da autoria de Victor Hugo Forjaz, Carlos de Matos Alves e Teresa Palácios, com chancela Letras Lavadas, foi pensado para alunos do 12.º ano e estudantes universitários, procurando preencher uma lacuna de décadas na edição em língua portuguesa sobre ciência dos vulcões.Ao Açoriano Oriental,  Victor Hugo Forjaz explicou que a obra, com cerca de 200 páginas e forte componente gráfica, apresenta conceitos fundamentais de vulcanologia, dados úteis para quem estuda ou explora vulcões e inclui ainda um resumo acessível da história desta ciência, desde a Antiguidade clássica até à vulcanologia moderna.Segundo o vulcanólogo, a publicação surge num contexto em que a vulcanologia “evoluiu imenso nos últimos anos” e em que os jovens desempenham um papel crucial em dois planos: o pedagógico e o da segurança em cenários de crise vulcânica. Para o autor, em situações de desastre “o jovem é criativo e tende a assustar-se menos do que os mais velhos”, o que pode ser determinante para a sobrevivência, reforçando a importância de dotar esta faixa etária de conhecimento sólido e atualizado.Neste contexto, a obra dirige-se em primeiro lugar a alunos do 12.º ano e a estudantes do ensino superior, integrando-se nos ambientes escolares e universitários como um ensaio de iniciação e aprofundamento. O objetivo é introduzir conceitos de forma clara, recolhendo aprendizagens e servindo de base “para um caminhar mais sólido”, tanto para quem pretende seguir áreas científicas ligadas à Geologia e à vulcanologia, como para professores que queiram atualizar materiais didáticos.Ao mesmo tempo, Victor Hugo Forjaz realça que o livro procura suprir um vazio editorial que se arrastava em Portugal, período em que praticamente não foram publicados manuais de vulcanologia dirigidos a estudantes. Até agora, a principal referência continuava a ser o livro do Professor Frederico Machado, de 1965, o que, segundo Victor Hugo Forjaz, justificava a urgência de uma obra atualizada, ajustada aos avanços científicos e às novas ferramentas tecnológicas.A edição foi concretizada nos Açores pela Letras Lavadas, através do editor Ernesto Resendes, que aceitou o desafio de publicar o manual com todas as gravuras originais, num processo de produção decorreu ao longo de aproximadamente um ano, metade dedicado à redação e a outra metade à revisão por vários colegas que contribuíram com pareceres científicos, num esforço de conciliar rigor técnico com linguagem acessível.O livro percorre ainda o historial da vulcanologia, dos primeiros registos dos gregos e romanos até ao Iluminismo, destacando como marco fundador a erupção do Vesúvio no ano 69 d.C., descrita por Plínio, o Velho, e Tácito. Esse relato da destruição de Pompeia, conservado em arquivo, é apresentado como um ponto de partida para o tratamento sistemático dos fenómenos vulcânicos, ligando a curiosidade histórica à compreensão dos riscos naturais contemporâneos.A obra sublinha igualmente o impacto da tecnologia na forma como se estudam hoje os vulcões, comparando o papel revolucionário do telégrafo nos séculos XVI e XVII ao dos drones na vulcanologia atual. Os autores explicam que os drones permitem recolher amostras e medir gases no interior das crateras sem colocar em risco a vida dos especialistas, num contexto em que a comunicação em tempo real com equipas do Japão, China, Indonésia ou Canárias faz parte do quotidiano da investigação.A recetividade tem sido “excelente” tanto no ensino secundário como no superior, adianta Victor Hugo Forjaz, que já antecipa uma segunda edição com um nível de aprofundamento maior. Em paralelo, está a ser preparado um pequeno livro de vulcanologia para crianças dos 6 aos 10 anos, que já mereceu pareceres positivos de educadores, numa aposta em formar desde cedo cidadãos informados sobre riscos naturais.