Livre vota moção para afastar Joacine Katar Moreira do parlamento
13 de jan. de 2020, 18:38
— Lusa/AO Online
A moção que foi publicada, esta segunda-feira, no 'site' do
partido na Internet não é subscrita por qualquer elemento da direção
executiva do partido, designada por Grupo de Contacto.O
congresso do Livre, que se realiza no próximo fim de semana, em Lisboa,
vai votar uma moção, subscrita por cinco dos seus membros ou apoiantes,
que defende a renúncia da deputada eleita, Joacine Katar Moreira.Caso
contrário, “o Livre não tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a
confiança política”, acrescentam os subscritores da moção. ”Hei-nos
chegados a um ponto em que as causas defendidas pelo LIVRE parecem não
conseguir sobrepor-se ao ruído constante provocado pelos 'faits divers'
mais estapafúrdios; em que o coletivo parece soçobrar numa desmedida
exposição mediática do indivíduo; em que o partido se arrisca a ver a
sua própria sobrevivência posta em causa”, justificam. O
texto, intitulado de “Recuperar o Livre, resgatar a política”, sublinha
que o partido começou a ser conhecido na opinião pública não pelas
razões pretendidas, mas por “peripécias, atribulações e polémicas
internas”, gerando uma situação “não apenas preocupante como
confrangedora”. "O Livre ficou conhecido,
é hoje conhecido, devido às peripécias, atribulações e polémicas
internas em que se viu envolvido de outubro até hoje, o que conduziu à
degradação da imagem pública e da credibilidade do partido", lamenta-se
no texto.A moção continua, afirmando que a
falta de articulação entre os órgãos do partido e o gabinete
parlamentar, “agravada pelas constantes declarações à comunicação
social, afetaram, de modo insanável” as relações entre os órgãos do
Livre e a deputada. O mal-estar, adiantam,
fez-se sentir também entre a deputada eleita e a generalidade dos
membros, apoiantes, simpatizantes e votantes do Livre que “com
estupefação e tristeza, a ouviram afirmar que ganhou as eleições
sozinha”.Os subscritores salientam que a
deputada apresentou “apenas” duas iniciativas ao parlamento, “sendo a
primeira, o projeto de lei de alteração à lei da nacionalidade, de
particular relevância para o partido, apresentada fora do prazo”. “Mesmo tendo em conta que o trabalho parlamentar se estende para além do hemiciclo, é manifestamente pouco...”, consideram. Na
moção pode ler-se ainda que as intervenções da deputada no hemiciclo
evidenciam “falta de preparação, circunstância que encontra parte da
explicação no facto do gabinete parlamentar assumir uma postura
dissidente em relação aos órgãos do partido, com destaque para o Grupo
de Contacto”. Por estas razões, "no caso
de a deputada não se dispuser a renunciar às suas funções, o Livre não
tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a confiança política",
conclui o texto.O congresso do Livre
decorre nos próximos dias 18 e 19 de janeiro, em Lisboa, e a deputada
Joacine Katar Moreira não é candidata a nenhum dos órgãos internos do
partido.