Livre recomenda que Governo e Parlamento não se façam representar
Mundial2022
16 de nov. de 2022, 12:52
— Lusa/AO Online
No texto,
que não tem força de lei, constituindo-se apenas como uma recomendação, o
Livre propõe que o Governo “condene, com veemência, as violações de
direitos humanos que ocorreram no Qatar, em particular as cometidas no
âmbito da organização do Mundial 2022” e que não se faça representar. O
partido representado no parlamento pelo deputado único Rui Tavares quer
ainda que o executivo “utilize a publicidade institucional que tem ao
seu dispor para realizar uma campanha publicitária positiva e inclusiva
que apela ao fim do preconceito e discriminação na prática do desporto”.
Quanto ao parlamento, o Livre propõe que a
Assembleia da República não se faça representar nos jogos da seleção
portuguesa e que envie uma mensagem à Federação Portuguesa de Futebol
(FPF) “a instar a FPF a tomar uma posição pública contra o historial de
violação de direitos humanos no Qatar, no âmbito da realização do
Mundial 2022”. No texto o partido refere
que “desde que foi anunciado que o Qatar acolheria o torneio, várias
organizações humanitárias têm denunciado, de forma veemente, as inúmeras
violações de direitos humanos no país, em especial os direitos dos
trabalhadores migrantes que foram contratados para construir os estádios
e infraestruturas” e que o país “indicou ter contratado cerca de dois
milhões de trabalhadores, a maioria oriunda de países como o Bangladesh,
Filipinas, Nepal e Índia, estando grande parte deles sujeitos a
exploração laboral”. “Para além de já ser
um reconhecido desastre humanitário, o torneio promete ser também um
desastre ambiental. Apesar das promessas da FIFA de que este seria o
primeiro Mundial neutro em carbono, o Qatar é um dos maiores países
emissores de dióxido de carbono per capita, agravado pela construção de
novos estádios, assim como novas cidades e meios de transporte em torno
dos estádios”, lê-se na exposição de motivos. O
partido alerta ainda para “desigualdades de género” no país e para leis
que “são claras e apelam à total discriminação e violência contra a
comunidade LGBTQI+”.O Livre salienta ainda
que “sendo Lisboa uma cidade defensora dos valores da liberdade e dos
direitos humanos” também a Câmara Municipal de Lisboa “deve tomar uma
posição firme, à semelhança do que tem sido já anunciado por várias
cidades europeias como Paris, Bruxelas, Marselha, Lille, Bordeaux,
Reims, Nancy e Rodez”. “O futebol é uma
prática desportiva global que gera as paixões mais intensas e inspira
sonhos em muitos jovens que procuram dedicar-se profissionalmente à
prática. Associar este torneio a um país com um historial de graves
violações de direitos humanos é permitir que fechemos os olhos ao
racismo, à xenofobia, à discriminação e preconceito que tanto temos
vindo a combater em Portugal e no seio da União Europeia”, sublinham. A
Assembleia da República está neste momento a trabalhar na especialidade
o Orçamento do Estado para 2023, ‘dossier’ que suspende os restantes
trabalhos parlamentares. Uma vez que o
Orçamento tem votação final global marcada para 25 de novembro, este
projeto do Livre só será votado já depois do primeiro jogo da seleção
portuguesa, marcado para o dia 24 de novembro. O
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já pediu autorização
ao parlamento para se deslocar ao Qatar entre os dias 23 e 25 de
novembro. O chefe de Estado, o
primeiro-ministro António Costa e o anterior presidente da Assembleia da
República, Eduardo Ferro Rodrigues, acompanharam jogos da seleção
portuguesa nos campeonatos europeus e mundiais de futebol que
coincidiram com os seus mandatos nos últimos anos.A
22.ª edição do Campeonato do Mundo de futebol arranca no domingo, com o
duelo entre o anfitrião Qatar e o Equador, para o Grupo A, e termina a
18 de dezembro.