Livre quer que comissão da Transparência se pronuncie sobre declarações do Chega acerca de crianças imigrantes
14 de jul. de 2025, 12:32
— Lusa/AO Online
No documento
- avançado hoje pelo jornal Expresso e ao qual a Lusa teve acesso
- dirigido ao presidente da Comissão de Transparência e Estatuto dos
Deputados, o deputado do Chega Rui Paulo Sousa, o Livre recorda que no
passado dia 04 de julho, durante uma sessão plenária na Assembleia da
República, André Ventura, líder do Chega, "citou um conjunto de nomes
próprios, de origem estrangeira, que disse pertencerem a crianças
matriculadas no 1.º ciclo e no ensino pré-escolar de uma escola de
Lisboa".No dia anterior, é referido no
documento, também a deputada Rita Matias, gravou um vídeo no edifício do
parlamento no qual citou "nomes, desta vez com apelido, de crianças que
disse estarem matriculadas numa turma do pré-escolar de uma escola de
Lisboa"."No vídeo é exibido um documento
de uma escola não identificada - mas passível de ser identificada - com
uma lista dos nomes integrais das crianças referidas, o que além de as
expor e de violar de forma ostensiva os seus direitos, é suscetível de
as colocar em perigo", argumentam os deputados do Livre.A
bancada acusa os deputados do Chega de terem feito estas declarações
"com um propósito claramente discriminatório, com o objetivo de
demonstrar que algumas pessoas, por conta do nome que ostentam, não
pertencem ao país nem merecem nele estar, mostrando que é legítimo
apontá-las, excluí-las, estigmatizá-las"."Dificilmente
se pode enquadrar este expediente oratório ao abrigo da liberdade de
expressão, uma vez que colide diretamente com o direito ao bom nome, à
não discriminação e ao livre desenvolvimento da personalidade destas
crianças - repete-se, crianças! - direitos estes consagrados
constitucionalmente", sustentam os parlamentares do Livre, depois de o
presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, no
passado dia 07, ter enquadrado este episódio num contexto de liberdade
de expressão. Além disto, os deputados do
Livre argumentam que as intervenções "assentam em falsidades,
nomeadamente no argumento de que filhos de imigrantes têm prioridade no
acesso a vagas nas creches".O partido
liderado por Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes considera que estes
episódios "revelam irresponsabilidade, ofendem a dignidade e o prestígio
da Assembleia da República, contribuem para a sua descredibilização e
desprestígio, ferem a urbanidade com que deve ser exercida a função dos
deputados e são suscetíveis de violação de diversas normas e princípios
do ordenamento jurídico-constitucional português".Por
esta razão, o partido solicita que a Comissão de Transparência e
Estatuto dos Deputados se pronuncie sobre o sucedido e "emita
recomendações que acautelem o exercício responsável e digno da palavra e
da função dos deputados".