Livre defende que pacote é “demasiado pouco” e aponta "oito lacunas"
Crise/Inflação
6 de set. de 2022, 13:57
— Lusa/AO Online
“Tarde é melhor
do que nunca e pouco é melhor do que nada, mas este plano vem demasiado
tarde e é demasiado pouco”, anunciou Rui Tavares, na Assembleia da
República, em declarações aos jornalistas.O
deputado reagia às medidas aprovadas pelo Governo em Conselho de
Ministros extraordinário que visam combater os impactos da inflação e
que já foram entretanto promulgadas pelo Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa. Tavares enumerou
aquelas que considerou serem as “oito lacunas” das oito medidas
apresentadas pelo executivo de António Costa, entre elas, “a dimensão do
próprio pacote” – com um valor global de 2.400 milhões de euros – que
“é 23 vezes menor do que o alemão sendo que a população é oito vezes
menor e o PIB [Produto Interno Bruto] 17 vezes menor, está aquém”. O
deputado único lamentou que não tenham sido anunciadas medidas “de
vulto” nos transportes públicos, referindo que houve países a avançar
com a gratuitidade, e quanto às pensões, disse que a prestação
extraordinária prevista “é regressiva”.“É
bem-vinda mas ajuda mais quem já ganha mais se ela fosse valor absoluto
em vez de ser em percentagem ajudaria mais os pensionistas mais pobres.
(…) Os pensionistas não ganham, em geral, rendimento. Na melhor das
hipóteses não perderão se as previsões do Governo em relação à inflação
se mantiverem, estiverem certas, mas já estiveram erradas”, salientou. Rui
Tavares continuou, dizendo que “não há nada sobre eficiência
energética”, nada de “corajoso” em relação aos lucros extraordinários
das empresas e lamentou que o executivo não tenha avançado com um
“compromisso adicional no Salário Mínimo Nacional”.Tavares
criticou ainda o facto de não existir, na sua opinião “inovação nas
políticas públicas”, argumentando que “momentos de guerra são momentos
para pensar de forma diferente”. No
entanto, Tavares disse haver um “reconhecimento” por parte do Governo de
que a inflação é um fenómeno estrutural, acrescentando que haverá
“caminho a fazer” até ao Orçamento do Estado para 2023, cuja discussão
acontecerá em outubro.