Livraria Solmar de Ponta Delgada revisita Antero de Quental com lançamento de livro
Hoje 16:45
— Lusa/AO Online
À agência Lusa, Ana Maria Martins explicou que o livro “Sonetos Completos”, de Antero de Quental (1842-1891), com capa do artista plástico Urbano, é uma reedição da obra de 1886, que foi lançada ainda com o autor ainda vivo.Em 1890, teve lugar uma nova reedição “como um apêndice de traduções em alemão, italiano, francês, espanhol”, porque “realmente ele foi uma figura muito importante e conhecida na Europa da época”, recorda a especialista.Ana Maria Martins refere que é importante esta nova edição para passar a sua obra às novas gerações, que “não podem ficar apenas com uns livrinhos de agora”.“Temos que ir lá muito para trás, para o Fernão Lopes, Camões, para todos eles. O Antero é uma figura fantástica”, defende a especialista na obra do poeta açoriano, recordando que saiu recentemente o segundo volume de Prosas, através da editora Tinta-da-China.O segundo volume versa “o Antero político, que tem uma atualidade absolutamente extraordinária”, defendendo que “devia ser mais ensinado a poesia, mas também a prosa”.“‘As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares’ é um livro de uma atualidade absoluta que devia ser dado nas escolas secundárias. A poesia de Antero é filosófica”, considera. Ana Maria Martins, no prefácio do livro “Sonetos Completos”, de Antero de Quental, narra a história da edição de um poeta que “era muito despegado das glórias do mundo e ia fazendo sonetos”.A especialista recorda que é Oliveira Martins que “praticamente o obriga a reunir os sonetos que vai fazendo ao longo da vida (cerca de 130)”.Ana Maria Martins considera que “os textos de Antero na política [são] de uma grande atualidade, sendo que era um social-democrata ainda antes de esta existir, que foi sempre contra o marxismo”.“Sonetos Completos”, publicados por Oliveira Martins e editados pela Livraria Portuguesa de Lopes e Co. Editores, do Porto, em agosto de 1886, com um prefácio-ensaio do próprio Oliveira Martins, incluiu ainda, cinco longos poemas, “testemunho de uma época de profundo pessimismo e que levou o autor a posteriormente destruir os muitos outros que então escrevera, ‘porque não podiam consolar ninguém e fariam mal a muita gente’”.No prefácio, Ana Maria Martins afirma que “após a sua morte, e durante alguns anos, Antero de Quental sobreviveu praticamente apenas como uma figura extravagante e lendária, um poeta obscuro, não raro associado ao último ato da sua vida e à ideia peregrina de que ela fora bem mais interessante do que a obra, declarada, erradamente, muito diminuta”.Para a especialista na obra de Antero, a edição de “Sonetos Completos” da Livraria Solmar, de Ponta Delgada, “respeita integralmente o critério do seu autor que desejou principiar com ‘Ignoto Deo’ para terminar com ‘Na Mão de Deus’”.O livro será lançado terça-feira, em Ponta Delgada, na Escola Antero de Quental, numa sessão em que serão oradores os escritores Urbano Bettencourt e Onésimo Teotónio de Almeida.