Literacia digital deve ser a principal estratégia para combater cibercrime
15 de nov. de 2024, 09:55
— Carolina Moreira
O Coordenador do Departamento de Investigação Criminal
dos Açores da Polícia Judiciária (PJ), Renato Furtado, alertou para o incremento do cibercrime “feito à medida” das pessoas visadas,
com base em informações confidenciais, e apelou à redundância, isto é, à
confirmação antes de agir, e ao investimento na literacia digital.Em
declarações ao Açoriano Oriental, à margem das VIII Jornadas dos Açores
contra a Violência, organizadas pela APAV Açores em Ponta Delgada,
Renato Furtado alertou para a necessidade de a população ter “princípios
de atuação” com vista à sua proteção contra cibercriminalidade.“A
cibercriminalidade visa sobretudo lesar o nosso património para
enriquecer as organizações, os grupos ou as pessoas que estão a praticar
isto. E nós temos que perceber que estratégias são as melhores para
ultrapassar esta questão”, considerou.O Coordenador da PJ nos Açores
ressalvou que, regra geral, os criminosos optam por “empobrecer” os
visados através de situações de “grande urgência, em que temos que agir
de imediato sob pena de ficarmos altamente prejudicados”.“É
geralmente neste tipo de abordagem que as pessoas ficam muito lesadas
porque, ao pensarem que estão a impedir uma transação que está iminente,
na verdade podem estar a validá-la”, alertou.Segundo Renato
Furtado, “o que temos que fazer nessas situações em que somos abordados
de uma forma digital, com sentido de urgência, é não agir de imediato,
ter redundância, ou seja, confirmar através de outros meios antes de
agir”, considerou, salientando que “temos que partir do princípio da
desconfiança”.O responsável pela PJ alertou ainda para o aumento das
burlas “tailored fit”, ou seja, feitas à medida dos visados, uma
situação que tem beneficiado do desenvolvimento da inteligência
artificial e que é “altamente perigosa” devido à sua “credibilidade”.“Com
a questão da inteligência artificial, estas organizações criminosas
podem obter, através de acessos ilegítimos, a nossa informação nos
telemóveis, computadores, e ter acesso ao nosso perfil de consumidor.
Assim, passamos a receber investidas e ataques direcionados para os
nossos gostos e a probabilidade de abrir aquele email porque é uma coisa
de que gostamos é muito maior e acabamos burlados”, explicou.Nesse
sentido, Renato Furtado considera que a melhor forma de combater o
cibercrime e promover a cibersegurança é através da literacia digital.“Temos
de saber os perigos, estar atualizado e depois ter alguma redundância
de atuação e não agir de imediato nessas situações inopinadas”,
aconselhou.