Lista de vagas gratuitas desatualizada deixa creches privadas num impasse
6 de jan. de 2023, 18:12
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, a presidente da Associação de Creches e
Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP) disse que a
situação atual é de “grande impasse” por causa das listagens onde
constam as vagas disponíveis de norte a sul do país nas creches do setor
social e solidário e que não são atualizadas desde novembro de 2022.Susana
Baptista apontou, por outro lado, que como ainda não foi publicado o
despacho que define como é que os centros distritais da Segurança Social
avaliam a disponibilidade, “o passo seguinte parou”.“Porque
a condição de poder alargar esta medida às creches privadas depende de
não haver vagas numa creche do setor social e solidário”, sublinhou.A
responsável recordou que “correu relativamente bem” a primeira fase do
processo, quando a Segurança Social disponibilizou os formulários para
as instituições privadas com valência de creche se candidatarem às vagas
comparticipadas, o que aconteceu a 22 de dezembro, no mesmo dia da
publicação da portaria.A seguir, os
centros distritais iriam avaliar a disponibilidade real de vagas no país
para aferirem onde é que as vagas no setor social já estavam
preenchidas e para a medida poder então ser alargada ao setor privado.Um
trabalho que seria feito com base em listagens publicadas pela
Segurança Social com todas as vagas, disponíveis também a partir de dia
22 de dezembro, assegurou a responsável.“O
que acontece é que numa grande parte das instituições [do setor social]
já não havia vagas, mas como a listagem dizia que havia vagas nas
instituições, os centros distritais não puderam alargar a medida às
creches privadas”, explicou.“Ou seja, as
creches privadas efetivamente candidataram-se a esta medida, mas não
puderam ver ativada a gratuitidade nestas creches porque havia uma
listagem que dizia que ainda havia vagas no setor social”, acrescentou.A
presidente da ACPEEP adiantou que esta situação já foi denunciada à
Segurança Social, depois de várias famílias terem tentado uma inscrição
numa instituição com vaga que afinal não tinha, denúncia que foi
entregue inclusivamente com declarações das próprias instituições do
setor social a atestar essa indisponibilidade.“Confrontada
a Segurança Social, houve perceção de que as listagens estavam
desatualizadas e que a data que estava era de novembro”, revelou.Susana
Baptista defendeu, por isso, que “é urgente atualizar as listas”,
porque enquanto isso não for feito os centros distritais da Segurança
Social continuam a não aceitar vagas para concelhos onde a lista aponte
existência de vaga no setor social.“Esta
situação criou um grande impasse”, denunciou, acrescentando que tem
havido formas de atuação diferentes entre os centros distritais, com uns
a mandarem na mesma os termos de adesão às creches que se candidataram e
outros que “pararam com o programa até que se avaliasse onde havia e
não havia vagas”.Por causa desta dualidade
de critérios, Susana Baptista adiantou que há creches privadas que já
aderiram à bolsa para vagas comparticipadas e outras às quais não foram
enviados os termos de adesão.“Mas mesmo as
que adeririam à bolsa ainda não sabem se a medida vai ser ativada
porque estão todos à espera que seja publicada uma nova listagem que
tenha informação correta sobre onde é que há vagas e não há vagas no
setor social”, apontou.Segundo a
responsável, este impasse tem tido também impacto nas famílias, havendo
“um grande número” que ainda tem as crianças em casa porque não tem
meios económicos para pagar uma vaga privada e outras que não têm vaga
nem no setor social nem no setor lucrativo.A Lusa contactou a Segurança Social sobre esta matéria, mas não obteve qualquer esclarecimento até ao momento.