Lisboa permite oportunidades de negócio pan-atlânticas
2 de set. de 2024, 11:29
— Alexandra Luís/Lusa/AO Online
Lisboa
acolhe a conferência global Atlantic Convergence, que decorre entre 01 e
03 de outubro, que traz à capital portuguesa visionários,
especialistas, utilizadores avançados e arquitetos de infraestruturas
digitais de ambos os lados do Atlântico, anunciou a DE-CIX.Entre os parceiros estão a Altice Wholesale Solutions, Atlas Edge, Camtel, EllaLink e Interfiber.Sobre
a escolha de Lisboa, o CEO da DE-CIX, Ivo Ivanov, refere que a capital
portuguesa "em termos de Internet global, tem muito para oferecer".Manifestando-se
"muito entusiasmado com as conclusões" do último estudo, 'Portugal: a
global interconnection hub, a gateway to Europe, a gateway to the
world'", o gestor refere que este mostra como o país se desenvolveu
"fortemente nos últimos oito anos e é agora um ponto de ligação para os
fluxos de dados globais e pan-atlânticos". Lisboa
"está perfeitamente posicionada para oferecer as latências mais baixas
entre os continentes Atlânticos, com as distâncias globais mais curtas
'em linha reta' entre os principais centros populacionais do Atlântico e
mais além, até à Ásia", diz. Portugal
"conta com 33 'data centers', incluindo um dos maiores campus de 'data
centers' do mundo, na Covilhã" e, em termos de investimentos em
infraestruturas nacionais, "ocupou, em 2023, o terceiro lugar na Europa
na conectividade 'Fiber to the Home/Building (FTTH/B)', com uma taxa de
penetração de 71,1%", aponta Ivo Ivanov. Lisboa
alberga três Internet Exchanges (IX) e 20 'data centers', pelo que
"vemos um ecossistema vibrante e diversificado de redes internacionais e
nacionais, com uma forte conectividade terrestre aos países europeus,
bem como uma excelente conectividade por cabos submarinos a outros
países nas margens do Atlântico", prossegue.Em suma, "Lisboa é um formidável ponto de convergência para todos os continentes banhados pelo Oceano Atlântico".Ivanov
não antecipa as principais conclusões que serão apresentadas na
conferência de outubro, mas antevê "o potencial para o sul da Europa se
tornar tão forte como os mercados FLAPS tradicionais na Europa
(Frankfurt, Londres, Amesterdão, Paris e Estocolmo) em termos de
interligação". Aliás, "temos assistido a
um enorme crescimento na região, com a DE-CIX Madrid a tornar-se, há
muito tempo, a maior IX do sul da Europa", refere. A
DE-CIX Madrid está interligada "com os nossos outros IX no sul da
Europa: em Lisboa, Barcelona (Espanha), Marselha (França) e Palermo
(Itália)" e "juntos formam o maior ecossistema de interligação neutra
para operadores e 'data centers' no sul da Europa". Em
relação a Portugal, "o DE-CIX Lisboa, o IX mais jovem da cidade,
alcançou a posição número um como o maior IX em número de redes em
Portugal, trazendo redes internacionais para o país para interligar e
trocar tráfego de dados com redes locais portuguesas e europeias e
incluindo também duas redes brasileiras recentemente ligadas,
capitalizando a ligação direta entre Portugal e o Brasil através do cabo
submarino EllaLink".Contudo, "não se
trata apenas de como os nossos IX crescem, o que vemos é que todo o
ecossistema cresce connosco – as redes, os 'data centers', até os outros
IX", enfatiza. No fundo atua como um impulsionador do crescimento."Prevê-se
que as iniciativas de cabos submarinos que amarram em Portugal se
estendam a 115 estações de amarração de cabos em todo o mundo até 2026,
estabelecendo ligações diretas por cabo com nada menos que 60 países nos
cinco continentes e estendendo-se até à Austrália", prossegue,
destacando o EllaLink, que é o único cabo submarino que liga a América
do Sul diretamente à Europa, amarrando em Fortaleza (Brasil) e Caiena
(Guiana Francesa), Casablanca (Marrocos) e Lisboa. Ora,
"isto transformará os fluxos de tráfego, permitindo que o conteúdo em
direção a sul permaneça a sul, em vez de ter de viajar para norte e
depois descer novamente. Além disso, a Zona Económica Exclusiva (ZEE) de
Portugal, que abrange mais de 1,7 milhões de quilómetros quadrados e
inclui os Açores e a Madeira, é a maior da UE e a décima maior a nível
mundial", argumenta."Com a sua vasta
extensão e uma elevada concentração de cabos submarinos, algo entre 10% a
15% de todos os cabos globais atravessam esta região", diz, sublinhando
que o que "distingue Portugal de forma ainda mais distinta é que as
quatro principais estações de amarração de cabos (CSL) internacionais e
os três principais IX de Portugal em Lisboa estão todos num raio de
apenas 100 quilómetros, criando uma infraestrutura de rede unicamente
concentrada e interligada". Lisboa é, em
síntese, "um novo centro de interligação que permite fluxos de dados
eficientes entre as Américas, África e Europa, e mais além, para a Ásia"
e "iremos ver surgir oportunidades de negócios transatlânticos e até
pan-atlânticos crescentes com base nisto", antecipa o CEO.No que respeita à conferência, "atualmente contamos com mais de 550 registos de 322 empresas diferentes de 53 países". O
evento abordará temas como aumentar a velocidade, reduzir os custos e
minimizar a latência da conectividade através do Atlântico, de que forma
podem a Europa e a América do Norte melhorar a conectividade com
regiões como a América Latina e África e até que ponto a infraestrutura
existente pode resistir a ciberataques, entre outros
(https://atlantic-convergence.net/).A
inteligência artificial também será debatida, tal como é que a atual
infraestrutura submarina, terrestre e espacial pode suportar novas
exigências e que novos corredores de dados estão a surgir através do
Atlântico, segundo Ivo Ivanov.A DE-CIX é a
operadora de Internet Exchange e oferece serviços de interligação em
quase 55 locais na Europa, África, América do Norte, Médio Oriente,
Índia e sudeste Asiático.