Lisboa “gostaria muito” de organizar primeiro encontro com Joe Biden
UE/Presidência
13 de jan. de 2021, 14:07
— Lusa/AO Online
“Gostaríamos
muito de ter durante a presidência portuguesa um primeiro encontro, uma
primeira reunião, com o presidente Biden, se possível, porque virá a
Bruxelas também para uma reunião na NATO ou uma outra reunião”, disse
Ana Paula Zacarias numa apresentação por videoconferência das
prioridades da presidência portuguesa do Conselho da UE.No
debate organizado pela Embaixada de Portugal em Espanha e pelo Real
Instituto Elcano, a secretária de Estado sublinhou que seria “muito
importante e muito interessante” que nesse encontro as duas partes
começassem a falar da “nova agenda transatlântica” proposta pelos
líderes europeus em dezembro último.Depois
de quatro anos da presidência de Donald Trump, os 27 pretendem discutir
com o novo Governo dos Estados Unidos da América temas como a defesa e a
política externa, uma nova agenda tecnológica e também uma nova agenda
comercial, entre outras matérias.“Há muita
matéria para trabalhar e há a vontade unânime de todos os membros da
União [Europeia] para continuar com esta agenda que esperamos poder já
iniciar durante a presidência portuguesa”, disse Ana Paula Zacarias.A
responsável portuguesa alertou que “ainda não é claro” que as
discussões sobre a nova agenda transatlântica possam ser iniciadas
durante o primeiro semestre do ano, pela presidência portuguesa, porque a
“agenda interna” de Biden e do seu Governo “lhes vai ocupar muito
tempo”.No início da apresentação, Ana
Paula Zacarias realçou a “feliz coincidência” de a atual quarta
presidência portuguesa da União Europeia acontecer 35 anos depois da
adesão de Portugal e Espanha, e apesar do atual momento “complexo e
difícil”, caracterizado pela maior crise económica e sanitária desde a
Segunda Grande Guerra (1945).Lisboa
definiu “três grandes prioridades” para desenvolver durante os seis
meses à frente do destino da União Europeia que começaram no início do
ano.Em primeiro lugar, trata-se de
promover uma recuperação europeia alavancada pelas transições climática e
digital, que inclui matérias como a atual vacinação contra a covid-19
em todos os Estados-membros, a recuperação económica depois da crise
provocada pela pandemia e “trabalhar na aprovação” da Lei do Clima.Em
seguida, Lisboa vai concretizar o “Pilar Social da União Europeia”, um
elemento essencial para assegurar uma transição climática e digital
“justa e inclusiva”.Finalmente, “reforçar a
autonomia estratégica de uma Europa aberta ao mundo”, que inclui temas
como a aprovação de um acordo comercial com os países da América Latina
ou a organização de uma cimeira com os países africanos, que ainda não
está confirmada.“Parece muito e é muito,
mas é o que é necessário para trabalhar agora na recuperação” económica e
social, disse a responsável portuguesa pelos Assuntos Europeus.Para
Ana Paula Zacarias, “o objetivo é simples” e passa por “empreender em
conjunto” um caminho que situe a Europa na “senda do crescimento
económico” de uma forma em que este “seja inclusivo, justo, sustentável e
inovador”.A presidência do Conselho da UE
é feita num sistema rotativo pelos Estados-Membros por períodos de seis
meses em que o país responsável dirige as reuniões a todos os níveis
desta instituição comunitária.