Linha SNS 24 diz que não houve constrangimentos nas chamadas na altura em que grávida perdeu bebé
4 de jul. de 2025, 16:54
— Lusa/AO Online
“Não há
registo de qualquer constrangimento na Linha SNS 24 nos dias 02 e 03 de
julho. O tempo máximo de espera para atendimento de utentes grávidas
situou-se, entre as 23:00 do dia 02 de julho e as 02:00 do dia 03 de
julho, nos 73 segundos”, adiantaram à Lusa os Serviços Partilhados do
Ministério da Saúde (SPMS).Na
quinta-feira, a RTP noticiou que uma grávida de 31 semanas em situação
de risco perdeu o bebé depois de ter sido encaminhada para um hospital a
mais de uma hora de distância da zona de residência. Segundo
a estação pública, a mulher do Barreiro “terá ligado para a linha de
Saúde 24 sem sucesso”, numa altura em que todas as urgências de
obstetrícia da margem sul estavam fechadas, tendo depois sido
transportada para o Hospital de Cascais.Na
resposta à Lusa, os SPMS adiantaram que, após ter sido auditado o
sistema da linha SNS 24, registam-se duas chamadas do número de telefone
indicado pela utente, a primeira para a opção "Linha SNS Grávida" às
01:20, que foi desligada após 41 segundos de espera. A
segunda chamada, na qual foi acionada a opção "Problemas
Respiratórios", foi realizada à 01:23 e desligada à 01:28, referiu a
mesma fonte.Os SPMS avançaram ainda que a
linha SNS 24 atendeu depois, às 01:30 de quinta-feira, a referida
utente, através de uma chamada transferida pelo Centro de Orientação de
Doentes Urgentes (CODU) do INEM. “A linha
SNS 24 realizou triagem de acordo com o algoritmo em vigor, aprovado
pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente,
tendo resultado no encaminhamento para o serviço de urgência
obstétrica”, referiu a mesma fonte.Segundo
os SPMS, de acordo com a matriz de referenciação, o serviço de urgência
obstétrica que cobria a localização da utente - concelho do Barreiro -
no momento do contacto telefónico, era na Unidade Local de Saúde Santa
Maria. “A utente foi, por isso, referenciada para o Hospital Santa Maria”, assegurou.Depois
disso, a grávida voltou a contactar o INEM às 01:47, que acionou os
meios necessários, tendo sido transferida para Cascais.O
Ministério da Saúde negou hoje que tenha sido recusada assistência à
grávida, assegurando que a utente foi acompanhada por um médico do INEM
durante o trajeto entre o Barreiro e Hospital de Cascais."Em
todos os momentos foi garantido o acesso aos cuidados de saúde,
concluindo-se que a resposta prestada à utente quer pela Linha grávida
do SNS, quer pelo INEM foi congruente com os protocolos de referenciação
e de acesso em vigor”, assegura o ministério em comunicado.Este foi o segundo caso em poucos dias de uma grávida que perdeu o bebé, depois de procurar uma resposta de urgência.A
outra situação refere-se a uma mulher que foi atendida em cinco
unidades hospitalares do SNS em 13 dias, referindo queixas de dores,
tendo o parto sido realizado na Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa
Maria, em Lisboa, em 22 junho, onde, “pouco tempo depois, a
recém-nascida morreu”.Em comunicado, a
Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) explicou que em
todos os hospitais onde foi observada, a grávida “terá sido avaliada de
forma atempada por profissionais de saúde qualificados, submetida aos
exames e avaliações considerados necessários, tendo recebido as
orientações consideradas adequadas”.